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Leonel Ximenes

O dia em que um prefeito eleito no ES foi ameaçado de surra e fugiu

Violência política no Espírito Santo foi destaque, em 1976, em um dos maiores jornais do país

Publicado em 06 de Outubro de 2024 às 03:11

Públicado em 

06 out 2024 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

A violência política no ES nas páginas de O Globo
A violência política no ES nas páginas de O Globo Crédito: Acervo O Globo
As eleições municipais de 1976 deixaram um rastro de violência no interior do Espírito Santo, em dois episódios destacados até pelo jornal O Globo do Rio de Janeiro. Um caso aconteceu em Cachoeiro de Itapemirim e o outro em Itapemirim, ambos no Sul do Estado.
Na edição de 23 de novembro daquele ano, o matutino carioca destacava que foi sepultado, em Cachoeiro, Jucélio Manhães, irmão do prefeito eleito da cidade pelo MDB, Hélio Carlos Manhães, uma grande liderança política que chegou a ser deputado.
O jornal conta que Jucélio foi assassinado com um tiro nas costas pelo ex-deputado Oséas Nascimento, do mesmo partido da vítima. No atentado, saiu ferido gravemente o vereador mais votado de Cachoeiro, Roberto Valadão, outra liderança que foi prefeito da cidade posteriormente, e Roberto Arcanjo, do mesmo partido.
Preso no quartel da Polícia Militar em Maruípe, Vitória, Oséas Nascimento alegou um “engano”: ele afirmou que não queria matar Jucélio e sim Roberto Valadão. O motivo do crime foram divergências no MDB da época. Resolvidas à bala.

AMEAÇADO, CANDIDATO ELEITO FOGE

O Globo também registrou, logo abaixo da matéria do crime político em Cachoeiro, uma grave ameaça política em Itapemirim, balneário do litoral Sul muito procurado pelos cachoeirenses no verão.
Eleito prefeito por uma diferença de apenas 19 votos, e na última urna, João Bechara não pôde comemorar sua vitória na cidade. Ameaçado de levar uma surra e até ser morto por partidários do candidato derrotado, ele foi levado por amigos para se refugiar no Rio de Janeiro.
“Conheço profundamente os problemas de Itapemirim, do qual fui prefeito em 1970 a 1972”, contou o prefeito eleito, já na capital fluminense. Curiosamente, os dois grupos políticos que se enfrentaram nas urnas em Itapemirim pertenciam ao partido da ditadura militar na época, a Arena. Um competiu pela Arena 1 e o outro pela Arena 2 (será que tinha os “comunistas” da Arena dos generais?).
Dos 11 mil eleitores inscritos em Itapemirim, votaram 10.130. Bechara obteve nas urnas 4.938 votos enquanto seu oponente recebeu 4.919. Votos nulos e em branco somaram 273, até então o índice mais baixo registrado em uma eleição municipal na cidade.
Agora tudo mudou: as eleições no ES “evoluíram” do crime desorganizado para o organizado.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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