Passou despercebido para muita gente, mas a operação que a
Polícia Federal e o Ibama desencadearam contra uma quadrilha especializada na exploração comercial ilegal de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, no Espírito Santo, foi acompanhada por uma equipe da U.S. Fish and Wildlife Service, agência do governo dos
EUA dedicada à repressão dos crimes envolvendo a pesca, a vida selvagem e os habitats naturais.
Em outras palavras, a FWS, na sigla em inglês, é congênere ao Ibama nos Estados Unidos. A parceria com a agência norte-americana foi uma iniciativa da Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo (PF-ES) porque parte da madeira extraída ilegalmente, principalmente o pau-brasil, tinha como maior destino exatamente os EUA.
A organização criminosa, com ramificação internacional, vinha atuando no
Norte do Espírito Santo. Era um negócio sofisticado: a madeira retirada do pau-brasil era utilizada para produzir arcos de violino no exterior, material nobre, raro e caro.
A FWS teve papel fundamental nas investigações policiais ao verificar a legalidade das importações e a existência de ramificações do esquema criminoso nos Estados Unidos.
Durante a Operação Ibirapitanga, realizada nesta terça-feira (30), uma equipe da agência ambiental dos EUA atuou no Espírito Santo e outra, simultaneamente, acompanhou tudo em Washington, a capital norte-americana.
Segundo a PF-ES, o trabalho conjunto entre agências internacionais e a Polícia Federal já é uma rotina, mas nesse caso, a operação foi especial uma vez que o produto final acabado (a madeira do pau-brasil) é destinado a músicos eruditos, muito atuantes em orquestras consagradas internacionalmente.
“São homens e mulheres engajados que, por óbvio, não querem que suas músicas soem fora do tom da preservação ambiental”, analisa uma fonte da PF no Estado.
O arco de violino é o produto final feito a partir da vareta. No
Brasil as varetas são adquiridas por valores que giram entre R$ 20 e R$ 40, ao passo que os arcos podem ser comercializados no exterior por até U$ 2,6 mil (R$ 14,6 mil).
Tendo como referência somente as 42 mil unidades de arcos/varetas já apreendidos no curso da investigação e considerando um valor final de mercado médio de US$ 1 mil por unidade de arco de violino comercializado no exterior, estima-se que esses instrumentos valeria no mercado internacional algo em torno de R$ 232,8 milhões, segundo a PF.
Para comemorar a bem-sucedida operação ambiental, o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, delegado Eugênio Ricas, levou os agentes americanos para degustar uma moqueca capixaba e tomar uma cervejinha. Ou seja, a ação policial multilateral não acabou mesmo em pizza.