Além do fator violência, até pouco tempo atrás era comum motoristas em viagem evitarem passar pelo
Rio de Janeiro por causa do alto preço dos combustíveis, até então um dos maiores do país.
Mas com a unificação dos impostos federais e estaduais sobre o produto, esse quadro mudou: o preço da
gasolina no Estado vizinho, por exemplo, está, em média, mais barato que no
Espírito Santo, depois de muitos anos.
A explicação é de ordem técnica, segundo argumenta o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos-ES).
De acordo com a entidade, o Rio de Janeiro tinha preços maiores do que o Espírito Santo porque o
ICMS no Estado vizinho era maior do que aqui. Porém, com a adoção da monofasia (incidência do imposto sobre um produto ou serviço uma única vez logo no início da cadeia), ou seja, com todos os Estados com o mesmo valor do imposto, essa diferença no preço dos combustíveis acabou. Os custos tributários agora são os mesmos.
Com impostos unificados, Rio e ES, neste aspecto, se igualam na formação do preço final dos combustíveis.
Entretanto, o Rio de Janeiro passou a ter vantagem competitiva com o Espírito Santo em dois itens fundamentais: produção e armazenagem.
Diferentemente do Espírito Santo, o Rio de Janeiro, que tem uma grande refinaria da
Petrobras em Duque de Caxias, na região metropolitana da capital, é produtor de gasolina e diesel, o que confere uma vantagem de custo sobre o frete para o Estado fluminense.
O Sindipostos-ES chama a atenção também para a vantagem comparativa em armazenagem do Rio de Janeiro. No Espírito Santo, pondera a entidade, a estrutura de armazenagem é deficitária em relação à demanda, sendo umas das mais caras do Brasil. E muitas vezes o transporte precisa ser feito por via terrestre, o que encarece significativamente o custo do produto.
Segundo levantamento no site da Petrobras, no período de coleta de 2 a 8 de julho, o preço médio do litro da gasolina no Brasil está em R$ 5,67. No Rio de Janeiro o valor é ligeiramente inferior: R$ 5,62. E no Espírito Santo, o litro, em média, custa R$ 5,89, bem acima da média nacional e do Estado vizinho.
Portanto, o Rio de Janeiro agora só perde no quesito violência. Pelo menos por enquanto.