Ele, que prefere não ser identificado, promete repetir a boa ação todos os dias enquanto durar a pandemia da Covid-19. O cardápio de ontem teve moela, batata-inglesa, batata-doce, inhame, arroz, feijão, ovo e farinha. Hoje (31) será alterado apenas um item: sai a moela, entra o frango; os demais ingredientes permanecem.
Experiente no mundo dos negócios do ramo alimentício, o empresário fez as contas e concluiu que o ato de caridade sai muito barato. O custo de cada marmitex, incluindo a embalagem metálica, sai em torno de R$ 2,80, fora o gás de cozinha.
Ele já recorreu às suas redes sociais para incentivar os seus seguidores e amigos a ter iniciativa semelhante. “Se você estiver em casa nestes dias, faça quatro marmitas de 400 gramas, seja no almoço ou no jantar, e dê um giro em seu bairro. Certamente vai encontrar moradores de rua sem nada pra comer”, destacou.
Não foi exatamente a religião que motivou o empresário, de 40 anos, a fazer esse trabalho social. “Assisti a uma live da
XP [empresa de investimentos] e vi que a filantropia no Brasil é muito baixa. Eu estava incomodado de não poder contribuir de alguma forma e pensei numa forma de ajudar com custo baixo, segurança e a certeza de que a doação chegaria na ponta.”
O morador de Itapoã lembra que a filantropia é uma prática ainda muito incipiente no Brasil: “Neste momento precisamos mais do que nunca fortalecer a rede de solidariedade. A filantropia no Brasil é muito baixa, em torno de 0,25% do PIB. Nos EUA, gira em torno de 2% do PIB”.
Hoje ele pretende alterar a rota para distribuir as cinco marmitas para outros moradores de rua no bairro Itapoã. E com um reforço na cozinha: sua mulher, que é médica e ontem estava de plantão.