O governador durante a live em que anunciou mais uma quarentena no ESCrédito: Hélio Filho/Secom ES
A live em que o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou a quarentena de 14 dias contou com a presença de chefes de poderes e das maiores autoridades do Estado. Em quase duas horas, incluindo apresentação das medidas e entrevista coletiva, teve de tudo um pouco: discursos fora de hora e cansativos, leitura de versículo dos Salmos e até barulhos estranhos.
PODER LOCAL
A ausência sentida foi a de representante dos prefeitos; afinal é nos municípios que as ações deverão ser tomadas.
SEM AMÉM
Aliás, faltaram também representantes das Igrejas para endossar a necessidade de ações mais restritivas e orientar os fiéis para que fiquem em casa. Mesmo de portas abertas, os templos não devem ser locais de aglomeração.
JEITO DE PROFESSOR
A caneta do governador foi bastante utilizada para anotações. De repente, pode precisar de uma nova carga.
OLHEM PARA SÃO PAULO
A coletiva do governo de São Paulo foi considerada um divisor de águas sobre as medidas contra a Covid-19. Design leve e ações previamente feitas.
ALÔ, COMANDANTE!
O áudio do comandante-geral dos Bombeiros, coronel Alexandre Cerqueira, foi um show de horrores. O governador Renato Casagrande precisou pedir para ele ler mais devagar.
QUEM NÃO SE COMUNICA...
Comunicação e fonoaudiologia andam juntas.
PALÁCIO ANALÓGICO
É fato: o Palácio Anchieta precisa de uma conexão de internet melhor.
COISA ESTRANHA
Barulhos esquisitos invadiram a coletiva do governador. Houve de um constrangedor arroto a um som semelhante a uma descarga de vaso sanitário.
TENSÃO NO AR
A linguagem corporal do governador demonstrava tensão. Mãos se mexendo constantemente, uma aparente boca seca, além de olhos fixos, piscando pouco.
DEVER DE CASA
Assessores do governo Casagrande encheram a live de comentários positivos.
FOGO NO PARQUINHO
Teve até espaço para bate-boca entre internautas sobre as medidas.
SERÁ?
O governador diz que a população já atravessou a maior parte da viagem (da pandemia).
DÁ PARA ACREDITAR?
Aliás, Casagrande disse que acredita também no novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Que, por sua vez, diz que acredita no presidente Jair Bolsonaro.
TIME ENXUTO
Foram suficientes apenas quatro pessoas para dar suporte ao governador na live: um operador de equipamento, um operador de câmera, um assessor de imprensa para organizar toda a sala e um intérprete de libras.
SAUDADE UM PALANQUE
O presidente do Tribunal de Contas, o ex-deputado Rodrigo Chamoun, fez um longo discurso, considerando que se tratava de uma live de anúncios de medidas de restrição no Estado.
TEM CURA ISSO, DOUTOR?
Na Avenida Jerônimo Monteiro, em frente ao Palácio Anchieta, um pequeno grupo de manifestantes protestava contra a quarentena. Em cima do caminhão de som, uma senhora elegante, de fino trato e loura, berrava ao microfone que o vírus não existe e desafiava todos que passavam: “Você conhece alguém que já pegou esse vírus?”
OREMOS
Erick Musso, presidente da Assembleia, declamou o Salmo 91 antes do seu discurso: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa".
CONSTATAÇÃO
Apesar da gravidade atual da pandemia (91% dos leitos de UTI para Covid estão ocupados), a segunda quarentena capixaba tem uma pegada, diríamos, meio leve. A do ano passado, parece, foi mais rígida.
É UM OU OUTRO?
Aliás, curiosamente, o governador chamou de quarentena as medidas de restrição, mas o arquivo de fotos da live, enviado pela assessoria do Palácio Anchieta, foi nomeado como “lockdown”.
OTIMISMO
Muitas das medidas, frisou o governador, dependem da “consciência” das pessoas.
RECADO FINAL DO GOVERNADOR
"A gente tem que ter a coragem para proteger as pessoas. Às vezes, a gritaria de quem nega a doença é grande e parece que é maior do que a grande maioria que está defendendo a vida. Então, vamos seguir defendendo a vida". E viva a vida!
ALÔ, TODO MUNDO!
Até quando o Estado terá que agir como babá para que todo cidadão cumpra seu dever de preservar a vida?
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.