Qual o preço da
honestidade? Para Celso Rodrigues Costa, de 50 anos, não é possível converter essa nobre atitude em dinheiro algum. Desde que começou a pandemia do novo coronavírus, o pequeno proprietário rural e dono de uma loja de ferramentas vende sua produção de quiabo num ponto em frente à sua propriedade, na rodovia que liga
Marilândia a
Colatina, no Noroeste do Estado.
E o que tem de diferente nessa barraca? Não tem ninguém lá para atender. Isso mesmo, o consumidor escolhe o produto, paga e vai embora. É o distanciamento social cumprido à risca sem no entanto atrapalhar os negócios.
Celso Conta que até 2015 vendia sua produção numa pequena caminhonete pelas ruas de Marilândia. Mas nesse ano ocorreu uma grande
estiagem no Estado, os agricultores perderam sua produção, e ele teve que vender o veículo para enfrentar os tempos difíceis que se anunciavam.
Diante da crise, era se conformar com a derrota ou se reinventar. Em 2018, Celso montou uma pequena loja de ferramentas e a partir daí abriu a porteira à criatividade para incremento da renda de sua propriedade. E está conseguindo - sempre contando com um dos maiores ativos morais do ser humano, a honestidade.
Todos os dias, bem cedo, Celso colhe quiabo do seu sítio e o coloca em cima de um simples varal de roupas na beira de estrada. Tudo embalado em pequenas sacolas com valor único de R$ 5. O consumidor pega o produto, põe o dinheiro correspondente na caixinha e vai embora. No final do dia, o pequeno produtor rural passa para recolher o faturamento do dia, que varia de R$ 80 a R$ 100.
O calote é quase inexistente: “Não chega a um por cento”, relata Celso, orgulhoso da sua iniciativa. “Se eu fosse ficar o dia inteiro na barraca ou colocasse um funcionário para cuidar dela, não valeria a pena financeiramente”, calcula.
Além de quiabo, o produto escolhido desta semana, no futuro o consumidor poderá encontrar no “varal da honestidade” frutas, legumes, verduras, café, ovos, aipim e abóbora, entre outros produtos que o lavrador já tem planos para expandir. Nestes tempos de pandemia de coronavírus, Celso deixa
álcool em gel para os clientes fazerem a higiene devida.