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Leonel Ximenes

Agricultor confia no consumidor e vende produtos sem ninguém na barraca no ES

Na beira de uma rodovia em Marilândia, no Noroeste do Estado, o próprio consumidor escolhe a mercadoria, paga e vai embora. O calote é de apenas 1%

Publicado em 27 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 mai 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Os quiabos ficam em cima de uma varal de roupa: honestidade não tem preço
Os quiabos ficam em cima de uma varal de roupa: honestidade não tem preço Crédito: Foto do leitor
Qual o preço da honestidade? Para Celso Rodrigues Costa, de 50 anos, não é possível converter essa nobre atitude em dinheiro algum. Desde que começou a pandemia do novo coronavírus, o pequeno proprietário rural e dono de uma loja de ferramentas vende sua produção de quiabo num ponto em frente à sua propriedade, na rodovia que liga Marilândia a Colatina, no Noroeste do Estado.
E o que tem de diferente nessa barraca? Não tem ninguém lá para atender. Isso mesmo, o consumidor escolhe o produto, paga e vai embora. É o distanciamento social cumprido à risca sem no entanto atrapalhar os negócios.
Celso Conta que até 2015 vendia sua produção numa pequena caminhonete pelas ruas de Marilândia. Mas nesse ano ocorreu uma grande estiagem no Estado, os agricultores perderam sua produção, e ele teve que vender o veículo para enfrentar os tempos difíceis que se anunciavam.
"Honestidade leva o ser humano para a frente. Não adianta passar a perna nas pessoas porque você vai perder lá na frente"
Celso Rodrigues Costa - Pequeno agricultor e micro-empresário
Diante da crise, era se conformar com a derrota ou se reinventar. Em 2018, Celso montou uma pequena loja de ferramentas e a partir daí abriu a porteira à criatividade para incremento da renda de sua propriedade. E está conseguindo - sempre contando com um dos maiores ativos morais do ser humano, a honestidade.
Todos os dias, bem cedo, Celso colhe quiabo do seu sítio e o coloca em cima de um simples varal de roupas na beira de estrada. Tudo embalado em pequenas sacolas com valor único de R$ 5. O consumidor pega o produto, põe o dinheiro correspondente na caixinha e vai embora. No final do dia, o pequeno produtor rural passa para recolher o faturamento do dia, que varia de R$ 80 a R$ 100.
Celso com melancias produzidas na sua pequena propriedade rural em Marilândia
Celso com melancias produzidas na sua pequena propriedade rural em Marilândia Crédito: Foto do leitor
O calote é quase inexistente: “Não chega a um por cento”, relata Celso, orgulhoso da sua iniciativa. “Se eu fosse ficar o dia inteiro na barraca ou colocasse um funcionário para cuidar dela, não valeria a pena financeiramente”, calcula.
Além de quiabo, o produto escolhido desta semana, no futuro o consumidor poderá encontrar no “varal da honestidade” frutas, legumes, verduras, café, ovos, aipim e abóbora, entre outros produtos que o lavrador já tem planos para expandir. Nestes tempos de pandemia de coronavírus, Celso deixa álcool em gel para os clientes fazerem a higiene devida.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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