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Leonel Ximenes

"A culpa é dos mendigos que viajaram para a Itália", diz mulher em academia no ES

Falta de empatia e solidariedade é o traço mais cruel da pandemia de coronavírus que atinge o Brasil e o mundo

Publicado em 21 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

21 mar 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
As academias estão fechadas desde quinta-feira no ES por causa do coronavírus Crédito: Divulgação
O coronavírus mata, mas o “vírus” da ignorância e do preconceito contribui para aumentar o caos em que vivemos. Veja o exemplo de uma senhora de fino trato numa academia da Praia da Costa. Inconformada com o fechamento da unidade a partir de quinta-feira, ela espalhou sua falta de empatia: “Isso é culpa dos mendigos que viajaram para a Itália na baixa temporada”. 
Não satisfeita, a madame emendou que não precisava fechar a academia, porque as pessoas poderiam frequentá-la “por sua conta e risco”.
Esse sacrifício imposto à coletividade é necessário para quebrar a cadeia de contaminação do coronavírus. Quanto menos gente circulando nas ruas e no comércio, mais rapidamente a situação voltará à normalidade. Países que não foram tão rígidos no começo da pandemia, como Itália e Espanha, hoje estão enterrando seus mortos em uma quantidade inédita desde a Segunda Guerra Mundial. 
A Itália, por exemplo,  registrou ontem (20) mais 627 mortes pelo novo coronavírus — a maior alta diária desde o início da pandemia. Com isso, o número de vítimas da Covid-19 no país chegou a 4.032, superando a China, que tem uma população 23 vezes maior que a italiana. Portanto, é melhor parar de malhar agora para, daqui a algum tempo, a gente continuar a ter saúde e qualidade de vida. E que a pobreza seja superada para que todos possam conhecer as belezas do mundo. Inclusive a Itália.

Leonel Ximenes

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Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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