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Economia

Um pacto pelo Brasil: por um novo ciclo de expansão inclusivo e duradouro

Estamos a um ano e meio das eleições. Não podemos permanecer esse tempo todo navegando sem rumo certo, focando no curto prazo e nos interesses eleitorais imediatos, sem um olhar estratégico para encaminhar a agenda do desenvolvimento do país

Publicado em 16 de Março de 2025 às 03:30

Públicado em 

16 mar 2025 às 03:30
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro Léo de Castro
O PIB brasileiro cresceu 3,4% em 2024, como divulgou o IBGE no início do mês, e a indústria foi um dos setores que puxou essa alta, com um crescimento de 3,3%. Visto isoladamente, o resultado do PIB pode parecer positivo, mas o desempenho do quarto trimestre mostra claramente uma desaceleração da atividade econômica, o que deixa o país em alerta.
No último trimestre do ano, o PIB ficou praticamente estagnado, subindo somente 0,2%, abaixo do resultado verificado nos trimestres anteriores. A economia desacelerou entre outubro e dezembro, projetando um PIB mais fraco para este ano, se não reagirmos a tempo num esforço coletivo.
O risco de comprometimento da atividade econômica torna-se ainda mais preocupante diante de uma taxa básica de juros de 13,25% ao ano, levando o Brasil à absurda posição de segundo maior juro real do mundo, perdendo somente para a Argentina – os juros reais consideram a taxa de juros descontada da inflação, esse é o número que realmente afeta a economia.
Nesse ranking, estamos à frente de Rússia, México, Colômbia, África do Sul, China e EUA, para citar alguns. Ou seja, estamos com a taxa básica fora da curva em relação aos países desenvolvidos e emergentes, algo totalmente fora de propósito. Mais preocupante é saber que o Banco Central pode elevar ainda mais a Selic, podendo chegar a 15% no fim do ano, segundo estimativas do próprio Boletim Focus.
Atenta ao momento, a Confederação Nacional da Indústria tem defendido um pacto nacional para superarmos juntos um cenário de desafios internos, com a economia desacelerando e o Executivo fragilizado pela impopularidade do presidente da República, e também desafios externos, com as medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e as mudanças na geopolítica mundial.
Há meses a CNI vem dialogando sobre esse cenário com as lideranças do país, em busca da convergência em torno de um pacto nacional, para evitarmos uma trajetória ruim para a economia e para a sociedade. Uma das prioridades é avançar no ajuste fiscal e na redução dos juros, com o controle das despesas do governo federal, e com mais rigor também nos demais poderes em relação às despesas públicas.
Na liderança dos debates à frente da CNI, o presidente da Confederação, Ricardo Alban, tem defendido o pacto nacional para dissipar as expectativas negativas e imprimir ao país um novo ciclo de expansão inclusivo e duradouro.
Há pautas importantes em tramitação no Congresso Nacional que podem impulsionar o desenvolvimento do país, possibilitando investimentos na infraestrutura brasileira. Entre os projetos, estão a Lei do Licenciamento Ambiental, a Lei Geral de Concessões, a modernização do setor elétrico e a atualização da chamada Lei do Bem, que concede incentivo fiscal para indústrias que investem em inovação tecnológica.
Outra importante frente de atuação é o fortalecimento de nossas vantagens competitivas, como a nossa capacidade de produção e infraestrutura avançada de biocombustíveis do país, que está estrategicamente bem posicionado para liderar essa agenda global.
O Brasil tem enorme potencial para se desenvolver. Temos diversos caminhos para superar os desafios internos e externos, mas parece faltar uma bússola e um comando claro para fazer acontecer.
Política, economia, Brasil, Mercado financeiro
PIB  Crédito: Freepik
Estamos a um ano e meio das eleições. Não podemos permanecer esse tempo todo navegando sem rumo certo, focando no curto prazo e nos interesses eleitorais imediatos, sem um olhar estratégico para encaminhar a agenda do desenvolvimento do país.
No momento, por exemplo, vemos uma contradição flagrante entre a política econômica e a política fiscal. Diante da alta dos preços dos alimentos e da desaceleração da economia, o governo tem anunciado estímulos ao consumo. Já o Banco Central, em sentido contrário, eleva os juros para conter a alta dos preços, desestimulando o consumo e os investimentos.
Essa contradição se reflete no dia a dia da economia. Por isso precisamos de um pacto nacional, que faça com que todos remem na mesma direção, incluindo o setor produtivo, os poderes da república, a sociedade em geral. É natural haver divergências numa democracia, mas não é natural um impasse que nos leve a um cenário de paralisia, com cada um olhando para uma direção. É isso que o pacto nacional busca construir: uma visão de futuro compartilhada, que garanta o desenvolvimento e a prosperidade, em benefício de todos.

Léo de Castro

Léo de Castro Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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