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Gestão

Renovação de lideranças leva ao fortalecimento de instituições

Se a democracia no mundo inteiro vive certa crise de representatividade, por não conseguir dar respostas ágeis para as demandas do eleitor, o que dizer de lideranças que se perpetuam à frente de organizações do setor privado?

Publicado em 27 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

27 fev 2022 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

O novo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário Josué Gomes da Silva, assumiu o cargo dias atrás e anunciou algumas prioridades importantes não apenas para São Paulo, mas para todo o Sistema Indústria – a rede nacional que reúne a CNI, Sesi, Senai e as Federações estaduais, como a Findes, no Espírito Santo.
Josué Gomes afirma que não disputará a reeleição. Ele manterá a Fiesp distante da corrida presidencial, lutará pela reindustrialização do país e defenderá uma reforma tributária para simplificar o sistema tributário nacional.
Essa agenda está em sintonia com os interesses do setor industrial de todo o país, não somente de São Paulo, que é o Estado mais industrializado (e mais rico) do Brasil, como se sabe. Diplomaticamente, Josué Gomes evitou comentários sobre o seu antecessor, que ficou 17 anos no cargo.
Josué é filho do ex-vice-presidente José Alencar, falecido em 2011, e destacou que a Fiesp não terá posição nesta disputa de 2022. A entidade vai ajudar qualquer que seja o governo eleito, acrescentou.
A Fiesp adota, assim, critérios técnicos e independentes que contribuem para a oxigenação e profissionalização da entidade sindical, como também fizemos na Federação do Espírito Santo, em nossa gestão.
Na ocasião, mudamos o estatuto da Findes, eliminamos a reeleição, criamos um comitê de finanças e o cargo de diretor-geral, investimos na qualificação dos conselhos temáticos que tratam da agenda de interesses objetivos do setor, elegemos prioridades como competitividade, produtividade, educação de excelência, inovação e infraestrutura, entre outras medidas, justamente para profissionalizar a administração e facilitar o foco na defesa dos interesses legítimos do setor industrial.
atual presidente da Findes, Cris Samorini, compartilha dos mesmos valores. Recentemente ela apresentou para a Assembleia-Geral da Federação um balanço da primeira metade de seu mandato. Os resultados são surpreendentes.
O Sistema Findes, incluindo Sesi, Senai e IEL, atendeu com seus serviços e consultorias mais de 1,7 mil empresas no ano passado, um aumento de 52% em relação ao ano anterior, sendo que 1,5 mil eram micro e pequenas empresas. A receita de serviços teve alta de 82%. O Sistema esteve ativo e presente em 66 dos 78 municípios do Estado, contra 55 em 2020.
Para apoiar a qualificação de mão de obra no Estado, o Sistema criou mais de 50 novos cursos, entre eles Robótica Industrial, Mecatrônica, Energias Renováveis, Biotecnologia e Jogos Digitais.
A articulação da Findes possibilitou a construção da lei que permite o uso de ICMS para projetos culturais, o que deverá representar investimento de R$ 10 milhões em economia criativa, fortalecendo as micro e pequenas empresas da área.
Bússula
Bússula: liderança aponta os caminhos Crédito: Pixabay
Sua agenda inclui pontos centrais para o presente e o futuro do Estado, como a duplicação das BRs 101 e 262, o corredor ferroviário centro-leste, os projetos portuários, o apoio à concessão da Codesa, a privatização da ES Gás, a atração de investimentos para o ES, entre várias outras iniciativas.
Uma gestão ágil, transparente e realmente comprometida com as suas bases é essencial para que uma entidade seja representativa, relevante e influente, e que de fato promova transformações no setor que representa.
Também impedem a recondução à presidência entidades como Associação dos Empresários da Serra (Ases), o SindiplastES e o ES em Ação, todas essas instituições de reconhecido prestígio e focadas na missão original de contribuir para o desenvolvimento da Serra e do Espírito Santo.
Todas as instituições públicas e privadas devem possibilitar a renovação de seus quadros. Na política, o instituto da reeleição, notadamente para cargos executivos, também já deu mostras de desgastes. Ela dificulta a alternância no poder e acaba favorecendo quem está disputando no exercício do cargo, independentemente da lisura do mandatário.
A política ainda segue uma lógica própria: é legítimo que uma liderança de expressão na sociedade busque contribuir para o desenvolvimento de sua comunidade, exercendo seguidos mandatos eletivos, que serão sempre submetidos à apreciação popular por meio das eleições. E os eleitores cada vez mais exigem transparência e diálogo.
Na iniciativa privada, porém, onde as entidades são de representação voluntária, essa lógica de reeleição não tem o mesmo sentido, ainda mais por tempo indefinido.
Mandatos intermináveis podem acabar distanciando o representante dos representados, abrindo brechas para a criação de feudos e provocando uma verdadeira crise de legitimidade, carecendo justamente de transparência e oxigenação.
Se a democracia no mundo inteiro vive certa crise de representatividade, por não conseguir dar respostas ágeis para as demandas do eleitor, o que dizer de lideranças que se perpetuam à frente de organizações do setor privado?
Certamente elas não estão contribuindo para fortalecer o setor que dizem representar. Pelo contrário. Eternizados no cargo, perdem a sintonia com as reais demandas das bases, perdem relevância e protagonismo. Involuntariamente, correm o risco de virar um estorvo, o que é lamentável.
O ideal é que todos compreendam a importância da renovação das lideranças, para que o setor produtivo possa avançar, junto com a sociedade. Essa é uma das forças das entidades de classe que devemos valorizar sempre: a capacidade de renovação e de transformação rumo a um futuro mais promissor.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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