Mais de 155 milhões de brasileiros foram às urnas no domingo passado, eleger prefeitos de 5,5 mil municípios. Neste pleito, o país bateu o recorde de reeleições: 81% dos prefeitos que tentaram a reeleição conseguiram. O recorde anterior era do ano de 2008, com índice de 66%.
Alguns analistas políticos apontaram Brasil afora possíveis abusos da máquina pública ou de emendas parlamentares, mas o fato é que maus gestores dificilmente são reeleitos. Pelo menos na Grande Vitória podemos observar que venceram nas urnas as administrações que realmente mais entregas fizeram para a população, em obras e serviços, ao longo do primeiro mandato.
Em Vitória, em Cariacica e em Vila Velha, os prefeitos reeleitos em primeiro turno transformaram as suas cidades em verdadeiros canteiros de obras, atuando em parcerias com o setor privado e ouvindo a população, privilegiando a agenda do empreendedorismo, da melhoria do ambiente de negócios, e investindo na educação. Na Serra, a eleição foi para o segundo turno, mas o grupo político que representou avanços importantes nos últimos anos largou bem na frente.
Eleições são sempre uma oportunidade de debater o modelo de desenvolvimento e de política pública que desejamos implantar. É o momento do diálogo em toda parte, em casa, no trabalho, nas festas, nos bares e restaurantes. E o que a gente percebe é que ninguém aguenta mais esse tempo de briga. Precisamos manter o diálogo, mirando a eficácia nas ações. A sociedade demanda entregas.
O eleitorado do Espírito Santo tem dado demonstrações de maturidade. O Estado fez transformações relevantes nos últimos 20 anos na política, nas finanças, na administração pública e na relação entre o setor público e a iniciativa privada. Muitos municípios acompanharam essa evolução. O bom ambiente de negócios estadual felizmente parece inspirar os municípios.
Para o candidato a cargo eletivo, é importante não confundir firmeza com bravatas, sob a pena de não representar mais quem lhe escolheu como representante. Muitos candidatos buscam reproduzir na política o mesmo estilo de lacração das redes sociais, transformando debates e entrevistas em meras oportunidades para produzir cortes para vídeos curtos, evitando o debate necessário e mirando a audiência a todo custo.
O eleitor, contudo, parece estar cansado dos extremos. O resultado das urnas indica o crescimento dos partidos de centro e de direita, mas não uma direita extremista. As cinco maiores legendas nesse campo político fizeram em outubro mais de 3,6 mil prefeituras, o equivalente a 64% de todas as cidades do país. Nas eleições de 2020 esse índice foi menor, chegando a 57%, como mostrou levantamento divulgado pela BBC Brasil.
Acredito que o eleitor amadurece a cada eleição, evoluindo no discernimento, que é a capacidade de distinguir as coisas com clareza e critério, fazendo julgamentos ponderados. Conselheira e especialista em desenvolvimento humano, a articulista do Valor Econômico Flávia Camanho escreveu sobre o tema dias atrás. Em qualquer tipo de decisão, no voto ou na vida empresarial, devemos considerar sempre alguns questionamentos: quem é a fonte de determinada informação, quais são as evidências apresentadas, existem interesses ocultos, os dados podem ser verificados? Parece óbvio, mas nem sempre é o que acontece.
As redes sociais trazem evidentes benefícios para a comunicação, mas os algoritmos tendem a nos aprisionar em bolhas. Eles são programados para apresentar ao internauta aquilo que já é percebido como algo de seu interesse. Com isso, a tendência é a de reforçar crenças, dificultando o diálogo e a consideração de uma opinião diferente.
Penso que ainda estamos aprendendo a conviver com as redes e seus impactos nas eleições ou mesmo nas relações em geral, mas tenho uma visão otimista. O resultado das urnas mostra que o eleitor tem feito escolhas sensatas, em busca de mais desenvolvimento e qualidade de vida.