O recente anúncio da Arcelor Mittal, do investimento de R$ 4 bilhões em um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo, representa um marco na economia capixaba, que passa por um processo de intensa transformação da indústria local, não somente na siderurgia, mas em diversos outros setores, como veremos.
Vivemos uma verdadeira revolução silenciosa no Estado, com o direcionamento da nossa manufatura para produtos de maior complexidade e maior valor agregado, proporcionando com isso maior renda média para os trabalhadores e mais prosperidade para os capixabas, em geral. Esse é o grande salto que verificamos agora.
Estamos trilhando o caminho que foi percorrido pelos países desenvolvidos – precisamos, contudo, estar atentos às agendas da educação e inovação.
Uma breve retrospectiva: até os anos 60, a economia do Espírito Santo era baseada essencialmente no café. Depois vieram os grandes projetos industriais, focados na produção de commodities, como minério, aço e celulose, levando ao desenvolvimento do setor metalmecânico.
Nas últimas duas décadas, ganhou impulso a produção de petróleo e gás natural, gerando nova cadeia produtiva, com a criação de milhares de empregos qualificados. Enquanto isso, com os nossos incentivos estaduais, passamos a receber outros investimentos, incluindo grandes players globais como a WEG e a Jurong, que hoje recebe demandas de todo o país, acelerando o ciclo de diversificação da nossa economia.
O café continua a ser uma riqueza importante para o Espírito Santo, só que agora contando com maior valor agregado, com as grandes indústrias Cacique e Olam, em Linhares, tornando o Estado um dos maiores hubs do mundo de produção de café solúvel.
A cadeia de celulose se diversificou com os recentes investimentos da Suzano, de mais de R$ 1 bi, na construção de uma fábrica de papel tissue em Aracruz e na modernização da unidade em Cachoeiro de Itapemirim. A indústria metalmecânica evoluiu de pequenas produções de manutenção para atuar em complexos sistemas na indústria de petróleo e hoje é uma indústria ativa na o fornecimento para o Brasil todo.
O setor de rochas, que há algumas décadas se resumia a exportar blocos, agora passa a fornecer não só placas, mas também módulos confeccionados para a indústria da construção civil, inclusive exportando itens como pias e sistemas de bancadas, acompanhando a industrialização desse setor. Poderíamos citar diversas outras atividades.
O investimento da Arcelor portanto é mais um capítulo relevante desse momento de diversificação, com maior complexidade econômica. De produtor de minério, passamos agora a ser produtores de laminados a frio de maior valor agregado, utilizados em diversos segmentos como a construção civil, o setor automotivo e o de eletrodomésticos. Novos investimentos virão na esteira do LTF, provavelmente.
Vivemos assim no Espírito Santo um momento positivo de maior complexidade econômica, um conceito que vem sendo estudado pelo economista Paulo Gala. Esse conceito mede a quantidade de conhecimento produtivo acumulado em uma economia. O conhecimento se reflete na variedade e sofisticação dos produtos e serviços que um país ou região consegue produzir e exportar.
Os países com alta complexidade econômica produzem bens e serviços diversificados e de alto valor agregado, enquanto os de baixa complexidade dependem de produtos simples e commodities. O Equador, por exemplo, é basicamente exportador de petróleo cru e banana. Já a Suíça, um dos países mais ricos do mundo, exporta produtos da indústria química e farmacêutica (52%), máquinas e equipamentos (13%), relógios (8%) e instrumentos de precisão (7%).
Todos os países ricos hoje são complexos do ponto de vista econômico. Em algum momento de sua história, eles foram capazes de dar um salto, saindo de produtos simples para produtos complexos, exatamente como vem fazendo o Espírito Santo nos últimos anos.
Nosso Estado tem uma população pequena, representando menos de 2% da população do Brasil, e não será um grande centro consumidor. O caminho para a prosperidade é justamente esse, de agregação de valor à nossa produção, elevando a renda média do Estado. Creio que esse é o grande salto que estamos dando, numa agenda que vem sendo construída há algum tempo, com agregação de tecnologia e de valor à produção econômica capixaba.
Nesse processo, precisamos valorizar a agenda ativa do governo do Estado e de vários municípios, que têm exercido um papel que sempre defendemos, de sermos um Estado empreendedor, ativo na atração de investimentos, visitando potenciais investidores e divulgando os benefícios e as vantagens competitivas do Espírito Santo.
Esse processo de agregação de valor está diretamente ligado à inovação e educação voltada para o mercado de trabalho, agendas que também trabalhamos fortemente a partir de 2017 na Federação das Indústrias do Espírito Santo – Findes.
Na Federação, sempre defendemos a inovação, a educação, a melhoria do ambiente de negócios e a evolução na infraestrutura do Estado. A inovação em especial é um tema que pautamos ao longo dos anos, gerando assim uma condição cada vez melhor para o nosso desenvolvimento. Penso que esse é o caminho para construirmos um Estado de alta complexidade econômica e alta renda média, uma ilha de prosperidade servindo de inspiração para todo o país.