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Novo ano

2022 deve ser um ano diferente, a construção dele depende de cada um

Se realmente queremos transformar a realidade, precisamos dedicar atenção especial às nossas escolhas na hora de votar. Isso significa votar em quem realmente está disposto a debater e resolver os nossos desafios

Publicado em 26 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 dez 2021 às 02:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Chegamos a mais um final de ano, período em que sempre fazemos um balanço de nossa trajetória, com uma renovação de expectativas em relação ao próximo ciclo que se avizinha.
Ao longo de 2021, abordamos neste espaço assuntos que acreditamos ser de interesse imediato de todos os brasileiros e brasileiras, debatendo questões que de fato têm o potencial de transformar a vida das pessoas e das futuras gerações.
Tratamos de temas como educação, saúde, qualificação de mão de obra, reformas estruturais, infraestrutura, inovação e tecnologia, política estadual e nacional, a inserção do Brasil na economia mundial e o desafio das lideranças diante de um cenário de intensas transformações.
Sei que não estou sozinho, muitos articulistas utilizam seus textos como uma espécie de cruzada evangelística, promovendo reflexões sobre as questões que realmente precisamos superar, para recolocar o país no trilho do desenvolvimento econômico e social.
2022 deve ser um ano diferente. Muitos já compreenderam que as mudanças acontecem realmente por meio dos caminhos e instrumentos institucionais disponíveis para realizá-las. Num regime democrático, nosso principal instrumento é a política!
Parece óbvio? Nem tanto: alguns parecem desejar transformações ignorando ou atropelando os caminhos da boa política, que demanda diálogo, compreensão, conciliação, capacidade de argumentação, construção de consensos e mobilização em torno de uma agenda comum, em benefício de todos.
Dito assim, parece fácil, mas não é nada trivial, especialmente numa sociedade polarizada em que é tão difícil o diálogo entre partes divergentes, que parecem viver em bolhas intransponíveis. Precisamos romper essas bolhas e retomar a arte da convivência civilizada, respeitando visões antagônicas, buscando entendimentos e soluções compartilhadas.
Dessa forma, se realmente queremos ver um Brasil melhor, precisamos usar bem o nosso instrumento maior, que é o voto! E quando me refiro a um Brasil melhor não penso em algo abstrato ou intangível. Eu me refiro à realidade imediata que nos cerca: as ruas das cidades, com pessoas vivendo em calçadas, os hospitais lotados, a dificuldade de acesso à educação de qualidade, as famílias em busca de melhor renda e qualidade de vida, a luta diária por um futuro melhor para os filhos e as novas gerações.
Se realmente queremos transformar a realidade, precisamos dedicar atenção especial às nossas escolhas na hora de votar. Isso significa votar em quem realmente está disposto a debater e resolver os nossos desafios, demonstrando capacidade de formular um raciocínio com os diagnósticos dos nossos problemas e buscar soluções que já se mostraram eficazes em outros países ou mesmo aqui no Brasil.
Na educação, por exemplo, temos os exemplos da Polônia e Coreia do Sul e, no Brasil, temos Sobral, no Ceará, que já abordamos neste espaço: há 20 anos a maioria das crianças da cidade cearense era analfabeta e o município estava na posição 1.366º no ranking do Ideb. Hoje ele está em primeiro lugar e seu modelo virou referência mundial.
Na Polônia ou em Sobral, não há mistério, a solução passa por valorização dos professores, autonomia para as escolas, persistência e continuidade de políticas públicas. Assim é na educação e em diversos outros campos.
Dos EUA à China, o mundo está repleto de exemplos de nações que promoveram o desenvolvimento econômico e social, com controle de gastos públicos, investimentos em infraestrutura e estímulos à iniciativa privada.
Levantamento publicado dias atrás pela Folha de S. Paulo, com base em dados do FMI e do boletim Focus, do Banco Central, mostra que o Brasil, desde 1987, cresce 1,4 ponto percentual abaixo da média mundial. Enquanto o mundo avançou num ritmo de 3,4%, nesse período, nós avançamos somente 2%, com um longo ciclo combinando recessão e estagnação, a partir de 2011. Certamente estamos aquém de nosso potencial.
Eleições são sempre uma oportunidade para o país debater seus desafios e projetar seu futuro. Porém, se deixarmos o debate desandar para um Fla x Flu inflamado e irracional, perderemos mais uma vez o bonde da história.
A boa política exige formação, dedicação, desapego ao poder a qualquer custo, compromisso sincero com a redução da desigualdade, respeito às instituições e à estabilidade democrática. A política é exercida por pessoas, e estas devem pautar suas atitudes por valores sólidos e visão de longo prazo. Precisamos valorizar esses atributos e estar atentos à qualidade dos debates.
Portanto, antes de desejar FELIZ 2022, se você quer realmente que seja um ano de prosperidade, pense bem nos nomes que levará às urnas, em outubro. Que seja realmente um ano melhor para todos nós, almejando o futuro que nós pretendemos construir juntos.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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