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Pandemia

Sobre a Covid-19, todos querem saber: onde estamos e para onde vamos?

A emergência de variantes do vírus mais transmissíveis e a corrida de ampliação da cobertura vacinal são os dois lados que se enfrentam no atual estágio da pandemia

Publicado em 07 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

07 out 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Prefeitura de Linhares
Vacinação tem papel essencial no controle da epidemia até pela menor contagiosidade dos que se vacinaram. Crédito: Prefeitura de Linhares
Duas forças opostas ajudam a modelar o momento atual da pandemia de Covid- 19 entre nós: a emergência de variantes do vírus mais transmissíveis e a corrida de ampliação de cobertura vacinal. Entre as variantes de preocupação (VOC, em inglês), a “vedete” da hora é a variante delta, responsável pela última onda que varre as principais regiões do planeta e já com mais de 90% dos novos casos aqui no Estado.
Essa variante tem várias mutações chaves na espícula (“spike”) que aumentam a ligação ao receptor ECA2, facilitando muito a transmissão viral. A vacinação, agora em ritmo acelerado, foi desenhada e aprovada para reduzir casos graves e mortes, como vem ocorrendo.
Uma interessante análise da performance dessas duas forças foi divulgada semana passada por pesquisadores de Harvard, Yale e da Universidade de Chapel Hill na Carolina do Norte. Eles acompanharam atletas infectados seguidos pelo programa de saúde ocupacional da NBA (National Basketball Association) entre o final de 2020 e meados de agosto de 2021.
Observaram que a variante delta foi capaz de infectar atletas vacinados e não vacinados. Entre os profissionais de basquete vacinados, a maioria havia recebido Pfizer, uma parte havia recebido Janssen e uns poucos a Moderna (também vacina de RNA). Curiosamente, os atletas vacinados mostravam picos de replicação viral semelhante aos não vacinados, mas negativavam o vírus na orofaringe bem mais rapidamente que os não vacinados, ficavam bem em tempo menor e transmitiam por menos dias que os não vacinados!! Achados semelhantes foram submetidos à publicação por pesquisadores de Cingapura.
Quais lições os pesquisadores americanos de Harvard e Yale sugerem tirar dessas descobertas? Em primeiro lugar, as poderosas vacinas de RNA (e obviamente as outras de vetor viral ou inativadas) não protegem definitivamente da infecção pela nova variante delta, apesar de protegerem de hospitalizações e mortes, que despencam nos vacinados.
Assim, é essencial persistir no uso correto de máscaras, como proteção aos mais vulneráveis, apesar da contínua sabotagem que persiste sendo feita pelos que negam a doença. O CDC divulgou nesta semana nos EUA que municípios sem exigência de uso de máscaras tinham mais que o dobro de casos de Covid nas escolas locais em que havia exigência de uso de máscaras.
Segundo, a vacinação tem papel essencial no controle da epidemia até pela menor contagiosidade dos que se vacinaram. Por isso seguimos convencendo aos que se negam a vacinar, para melhor proteção coletiva, para que a vida volte à rotina, mortes sejam evitadas, e os empregos retornem salvando postos de trabalho.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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