No meu tempo não era assim! Nossa, como as pessoas estão agressivas e mal educadas hoje! Antigamente havia mais honestidade! Você, caro leitor, deve ouvir isso toda hora, especialmente das pessoas mais velhas. Será que é verdade? Estaremos todos condenados ao declínio da civilização? Observem como os filmes futuristas são com frequência sombrios, desenhando cenários aterradores para a humanidade.
Neste mês, uma dissertação de doutorado foi publicada na revista Nature por Mastroiani e Gilbert, psicólogos da Universidade de Columbia e de Harvard, desmistificando essa concepção. Desde tempos antigos, historiadores e escritores de mais diversas tendências e ideologias creem na queda da moral, da decência e da ética das pessoas. O historiador Livy, há mais de 2000 anos, lamentava o declínio moral da civilização romana. Os pesquisadores tiveram o trabalho de escrutinar dados de pesquisas de 60 países diversos ao redor do mundo durante os últimos 70 anos, demonstrando ser absolutamente uniforme a percepção de declínio da moral, da gentileza e da ética nas mais diversas civilizações.
Também todas as pesquisas mostraram que as pessoas atribuem a queda de moral a uma suposta perda de senso ético e honestidade das novas gerações. De modo muito significante a percepção das pessoas era de que a vida era melhor, não nos anos passados, mas ao menos uma ou mais décadas atrás. Os pesquisadores se propuseram então a tarefa de pesquisar, em países diversos e de culturas diferentes, estudos de comportamento, confiança e honestidade através do tempo e... eureca! Não houve variação importante. Ou seja, embora em todas as culturas houvesse a percepção da maioria das pessoas de que a humanidade estava declinando na moral, na ética, na gentileza, os estudos feitos em décadas variadas negavam essa hipótese.
Enfim, o pessimismo com a evolução moral e ética do homem, comum a todas as culturas e pesquisas nas mais diferentes nações, parece ser tão somente uma ilusão, já que não tem comprovação prática. Os pesquisadores de Harvard e Columbia especulam se tal sensação dos anos dourados passados não seriam um viés de memória! Com exceção de catástrofes, as memórias negativas tendem a desaparecer mais rapidamente que as memorias muito boas.
Assim, caro leitor, quando seu pai ou seu avô lhe disser que no seu tempo era melhor, aproveite e viva o agora! Não parece no fundo ter diferença!