Neste mês de abril inicia-se em todo o país a vacinação contra gripe. Depois de três anos de pandemia, muitos se esqueceram da gripe... afinal, o último susto que a humanidade teve com a influenza foi em 2009 com o surto de AH1N1, a gripe “suína”.
Após um período inicial de tensão em todo o globo, a epidemia de H1N1 naquele ano revelou-se menos mortal e assustadora. Nos primeiros meses de 2023 causaram preocupação surtos de gripe aviaria – vírus H5N1, em diversos países da América do Sul, pelos riscos à avicultura e potencial contaminação de humanos.
Veja, caro leitor, já falamos de suínos e aves abordando a gripe, uma das doenças mais antigas da humanidade. Àqueles adeptos das teorias da conspiração que sempre se sensibilizam com as hipóteses de novos vírus “criados em laboratórios” e espalhados na natureza por cientistas malévolos, a verdade é que não existe laboratório no mundo mais fantástico que a Mãe Natureza!
Pois bem, uma notícia muito curiosa e original foi publicada nesta semana. Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, e da Cornell University, em Nova York, estudando a origem do vírus influenza, acharam evidências de que as primeiras espécies vivas contaminadas pelos vírus da gripe na natureza têm origem aquática! Corais e crustáceos seriam os primeiros organismos vivos “gripados”, imaginem, há cerca de 600 milhões de anos.
Complexas investigações de sequenciamento de DNA dão suporte a esses achados. Confesso que tenho dificuldades de imaginar um crustáceo ou coral “gripado“. Eles não espirram, com certeza. Esse trabalho científico ainda não foi revisado por pares, mas mereceu comentários da prestigiosa revista Nature em abril!
De qualquer forma, como a vida surgiu em ambientes aquáticos, é compreensível que infecções virais as mais diversas tenham contaminado primeiro animais marinhos. Depois, vírus e outros parasitas “saltaram” para espécies terrestres, entre as quais os humanos.
De qualquer forma, a gripe, embora coadjuvante menos importante nesses anos de Covid-19, ainda é doença que merece nossa preocupação. O SUS começa em abril uma vigorosa campanha de vacinação que deve ser vivenciada por todos os grupos de risco contemplados. Na rede de clínicas privadas, há duas opções: uma vacina tetravalente e uma nova vacina, desenhada para o idoso, conhecida como high-dose nos EUA e EFLUELDA no Brasil, com 4 x mais antígenos que as vacinas comuns e capaz de melhorar a resposta vacinal nas pessoas mais idosas.