Existe uma parábola interessante divulgada como história oral passada entre gerações dos povos nativos canadenses e norte-americanos:
“Um homem muito velho conversava com seu neto: - Há uma batalha travada dentro de mim. Uma luta terrível entre dois lobos. Um é maligno – raivoso, ganancioso, ciumento, arrogante e covarde. O outro é bondoso – pacífico, amoroso, modesto, generoso, honesto e confiável. Estes dois lobos também estão lutando dentro de você, e dentro de todas as outras pessoas. A criança fica pensativa e após algum tempo pergunta ao ancião: Qual dos lobos vai vencer? O velho sorri e responde: O lobo que você alimentar”.
São boas reflexões para os tempos atuais, de polarização intensa, de formação de tribos que não se falam, do radicalismo raivoso das redes sociais. Já é possível ver próximo o fim da pandemia, mas não suas sequelas, muito presentes entre nós. Alguns problemas que temos se tornaram piores. Há décadas que a carga tributária nesse país vem aumentando, sem que melhorem, de modo palpável, os serviços prestados aos cidadãos. O país gasta mal. O gigante vive adormecido em berço esplêndido, o crescimento sofrível não cria oportunidades, estamos novamente assistindo ao êxodo de jovens desesperançados, que não mais enxergam no Brasil chances correspondentes às suas expectativas.
A desigualdade só tornou-se pior, o desemprego, a fome, enfim, há uma série enorme de desafios que o país precisa enfrentar. Há um consenso de que o longo período de escolas fechadas vai cobrar um preço alto dessa geração, em especial para aqueles excluídos de um razoável acesso à internet de qualidade.
A saúde ficou mais de um ano cuidando só da Covid, gerando um enorme passivo de rastreamento, diagnóstico e tratamento de câncer, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, entre outras, passivo esse que trará doenças e mortes que poderiam ser evitadas.
Precisamos de convergências, de agendas que nos unam, criar consensos que permitam sobreviver às armadilhas do jogo político pequeno, de interesses paroquiais que nos governam. Precisamos decidir qual lobo alimentar! O da mente aberta e generosa, que quer achar saídas que tragam vantagens e benefícios para todos, ou da mente tacanha e egoísta, que quer só humilhar, destruir e se promover?