Uma certa balbúrdia se instalou na mídia e mesmo entre círculos de especialistas sobre mudanças recentes no tempo de isolamento de pessoas com síndrome gripal em casos de Covid-19.
Na verdade, a situação hoje é diversa do ano passado. O enorme contágio propiciado pela Ômicron não está resultando, até o momento, em aumento na mesma intensidade de hospitalização e mortes, graças à vacinação. Assim não há o mesmo senso de urgência de preservar vidas. Também a enorme taxa de contágio ameaça o funcionamento de postos de saúde, hospitais, voos, metrô, ônibus, lojas, podendo criar interrupção de vários serviços essenciais.
Diversos trabalhos de pesquisa mostram que a transmissão da Covid ocorre desde 1-2 dias antes até 5-7 dias depois do início dos sintomas. É muito difícil achar vírus viável nas secreções respiratórias após o oitavo dia. É claro que este tempo será mais longo em casos graves que são hospitalizados.
Considerando que a maioria das pessoas que estão se contaminando com a variante Ômicron são vacinadas, é razoável reduzir o isolamento por 7 dias, estando a pessoa sem febre, sem uso de antitérmicos, com vigilância bem rigorosa no uso de máscaras, de preferência de qualidade melhor em ambientes fechados, como PFF2 ou KN95, quando possível (ou pelo menos dupla, bem ajustada).
Caso fosse possível fazer testes de antígeno para definir alta do isolamento, este tempo poderia ser mais curto como cinco dias, mas não sei se será possível atender a demanda. Soubemos há poucos dias de um estudo japonês que teria mostrado que a Ômicron permanece mais tempo com risco de infecção. Na verdade, esse foi um estudo com número muito pequeno de casos e ainda assim as pessoas sem sintomas não tinham vírus viáveis após 5 dias.
Não fosse a continua sabotagem que o uso de máscaras sofreu entre nós desde sempre, se tivéssemos adquirido mais disciplina no uso delas, esse grande contágio seria bem menor. Também, como tudo na ciência, essas diretrizes podem mudar caso surjam novas evidências.