Há duas semanas escrevemos, neste espaço, sobre previsões da revista Nature para 2023, no campo da ciência. Hoje vamos comentar alguns importantes ensaios clínicos de vários centros de pesquisa no mundo, que podem ter resultados neste ano.
Na Espanha, o professor Jordi Salvadó desenvolve um grande estudo de intervenção baseado principalmente na dieta mediterrânea e na promoção de atividade física, como uma estratégia sustentável em adultos obesos e com sobrepeso para reduzir doenças cardiovasculares e mortalidade. Envolve quase 700 participantes recrutados em 23 centros.
A dieta mediterrânea tradicional é rica em azeite de oliva, nozes, vegetais, cereais, legumes e frutas, com baixo consumo de carne, especialmente carne vermelha. Vinho, com bastante moderação, pode ser usado nas refeições.
Na Suíça, o professor Nicola Aceto investiga uma medicação conhecida pelos cardiologistas, a digoxina, no seu curioso efeito de redução de agregados (“clusters”) de células tumorais em câncer de mama metastático. Caso bem-sucedida, seria um estratégia inovadora no tratamento de câncer.
Roger Albin, professor de neurologia da Universidade de Michigan, está investigando uma droga já usada no tratamento de diabetes, o exenatide, em pessoas idosas com doença de Parkinson, uma nova arma para esse mal.
No campo das doenças infecciosas, Olaf Valverde, estudioso de doenças negligenciadas, espera as conclusões de estudo de uma nova droga para tratar a doença do sono, causada por um parasita transmitido pela mosca tse tse, endêmica no sudeste da África. Essa doença ainda hoje é tratada com derivados arsênicos muito tóxicos e mortais para muitos pacientes.
No grupo das doenças conhecidas por distrofias musculares, em que jovens e crianças perdem a capacidade de andar e às vezes mesmo de respirar, tornando-se dependentes de cadeiras de rodas, a Dra Simone Spuler, da Charité-Universitätmedizin em Berlim, desenvolve uma pesquisa inovadora. O grupo de pesquisa liderado por ela tenta editar os genes de distrofias musculares com a nova tecnologia CRISPR-Cas9, em um experimento chamado ensaio bASKet.
Na oncologia, o Dr. Anssi Auvinem, da Tampere University na Finlândia, coordena um estudo com 117.200 homens acima de 50 anos, tentando desenvolver um rastreamento de câncer de próstata que seja mais eficaz que a atual dosagem de PSA, que leva a um excessivo diagnóstico de tumores de muito baixo risco. Enfim, esses são apenas alguns exemplos de esforços de cientistas de todo o mundo em busca de avanços importantes para 2023.