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Saúde

Demência: o que podemos fazer para proteger nosso cérebro?

Como a demência não é uma doença única, mas um conjunto de diagnósticos que resultam no comprometimento de áreas como memória, atenção e linguagem, estudos têm mostrado que alguns hábitos simples podem interferir em fatores de risco

Publicado em 22 de Setembro de 2022 às 00:20

Públicado em 

22 set 2022 às 00:20
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

A transição demográfica está se acelerando no Brasil e vemos aumentar progressivamente o contingente de idosos. A todos interessa um envelhecimento saudável, vida com qualidade nos anos que se seguem. Um fantasma que sempre assombra a senescência é representado pela demência. A OMS prevê que o número de pessoas acometidas deve crescer mais de 150% até 2050 em todo o mundo.
A busca por novos medicamentos mais eficazes para tratar a neurodegeneração não tem avançado de forma linear, com alguns insucessos recentes. O que podemos então fazer? Existem modos de proteger o cérebro, de fazer prevenção das doenças relacionadas à demência? A resposta boa é que sim! Como a demência não é uma doença única, mas um conjunto de diagnósticos que resultam no comprometimento de áreas como memória, atenção e linguagem, entre outros domínios, estudos científicos têm mostrado que alguns hábitos simples podem interferir em fatores de risco. Claro que existe a suscetibilidade genética herdada, onde pouco podemos interferir.
Pesquisadores americanos publicaram recentemente na revista Neurology que um conjunto de práticas que denominam como sete hábitos simples de vida conseguiam reduzir em mais de 40% o risco de demência. Para tanto, foram acompanhadas milhares de pessoas por três décadas de vida.
As sete práticas recomendadas são: permanecer ativo, adotar uma alimentação saudável, evitar o sobrepeso, não fumar, manter a pressão arterial sob controle, controlar o colesterol e a taxa de açúcar no sangue. Os cientistas defendem também que as pessoas mantenham o cérebro ativo, com atividades estimulantes como jogos de memória e palavras cruzadas. Mais interessante ainda se essas atividades forem efetuadas em grupo com maior interação social.
Um outro estudo, este britânico, acompanhando também milhares de pessoas, demonstrou que as que faziam sistematicamente exercícios físicos vigorosos, como esportes regulares, tinham em média 35% menor risco de demência. Até mesmo pessoas sem exercícios regulares, mas que relataram realizar rotineiramente tarefas domésticas, tinham 21% menor risco de demência. Inclusive atividades lúdicas, como prática regular de dança unicamente, propiciaram risco menor de demência. Assim, exercícios regulares protegem não só o corpo, como também a mente.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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