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Eleições 2022

Pesquisas de intenção de voto não são previsões do futuro

Resultados devem ser considerados não como uma previsão do futuro, mas como uma atitude de hoje que pode ser modificada pelo comportamento adotado no dia da eleição

Públicado em 

17 jun 2022 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

As pesquisas de intenção de voto estão no centro dos debates da pré-campanha para presidente da República. Há quem considere que a polarização entre os dois principais candidatos está definitivamente posta, há quem desistiu de concorrer – como João Doria – porque era pressionado por causa dos baixos índices obtidos nas pesquisas e há até quem apregoe que as pesquisas não passam de uma manipulação promovida por quem tem interesses (geralmente escusos) de influenciar o resultado das eleições. Estariam aí os motivos para que haja resultados tão diferentes – até de dez pontos percentuais – entre algumas delas.
Mas as pesquisas são, nada mais, do que a tabulação de respostas dadas às suas perguntas principais: “Se as eleições fossem hoje e os candidatos fossem esses, em quem você votaria?” (nas pesquisas estimuladas) ou “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria?” (nas pesquisas de menção espontânea). E ainda: “Em quem você não votaria de jeito algum?” Ou seja, nas circunstâncias presentes no ato de formulação da pergunta, o eleitor declara a sua intenção atual de voto, e não qual será o seu voto no dia do pleito.
Por isso, as pesquisas são um retrato de um momento específico, e não podem ser confundidas como uma prévia do resultado das eleições que, no caso presente, vão ocorrer daqui a quatro meses. Não vale, assim, qualquer conclusão de que “a pesquisa acertou” ou “a pesquisa errou” – nem agora e nem após o pleito – porque pesquisas não são feitas para serem previsões dos resultados eleitorais. Achar isso, no presente momento, quando as campanhas nem foram oficialmente iniciadas, é dar às pesquisas um papel que elas, definitivamente, não têm.
É claro que algumas pesquisas podem ter imperfeições, porque, afinal de contas, elas dependem da metodologia adotada na coleta de dados. Os melhores dados são aqueles obtidos presencialmente pelo pesquisador, mas atualmente é cada vez mais difícil que isso ocorra com facilidade já que há locais inacessíveis como, por exemplo, os condomínios cercados de seguranças e os bairros dominados pelo tráfico.
Muitas vezes os dados são colhidos por telefone e aí há sempre o risco de o perfil do pesquisado não ser igual ao desejado pelo pesquisador. Mas, em geral, o volume da amostra acaba diluindo esses riscos, vindo daí as margens de erros e os intervalos de confiança calculados pela teoria estatística.
Se assim é, para que servem as pesquisas quantitativas se elas não podem ser consideradas como uma prévia dos resultados das urnas? Elas servem – ou deveriam servir – para nortear os rumos das campanhas dos candidatos. Elas são úteis para demonstrar as regiões, as faixas etárias, o sexo e os níveis de renda e de escolaridade dos eleitores mais (ou menos) receptivos às mensagens da campanha. São pistas que podem ser mais bem detalhadas em pesquisas qualitativas capazes de decifrar os sinais identificados nos números das intenções de voto.
Num país como o Brasil, em que é baixa a identificação dos eleitores com os partidos e ideologias políticas, é ainda mais alta a probabilidade do chamado “voto randômico”, aquele que não tem motivação consistente e é definido na hora da votação. Por tudo isso, os resultados das pesquisas eleitorais devem ser considerados como devem ser, ou seja, não como uma previsão do futuro, mas como uma atitude de hoje que pode ser modificada pelo comportamento adotado no dia da eleição.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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