As palestras do “Fucape Open”, evento realizado na última sexta-feira (17) com o apoio da Gazeta, tornaram públicas as diferenças das expectativas com relação ao desenvolvimento, no curto prazo, do Espírito Santo e do Brasil. No plano local, o secretário da Fazenda de Vitória, Aridelmo Teixeira, e o capixaba Rafael Furlanetti, assessor da XP Investimentos, traçaram um cenário otimista, de contas públicas equilibradas e boas perspectivas de crescimento.
No plano nacional, o economista Caio Megale e a analista Julia Gama, da XP, projetaram um ambiente de incertezas, enquanto o secretário especial do Tesouro Nacional, o capixaba Bruno Funchal, discorria sobre o caminho que poderia desatar o nó do orçamento da União.
É evidente que o Espírito Santo e sua capital, Vitória, não são uma ilha imune ao ambiente nacional. Mas, considerando os bons resultados alcançados pelo Estado e município com relação ao controle das despesas públicas, é possível que o “confia” do lema da bandeira capixaba justifique o entusiasmo com que Aridelmo discorre sobre o ajuste fiscal realizado na Prefeitura de Vitória que acaba de anunciar investimentos, com recursos próprios, de R$ 1 bilhão nos próximos três anos.
Ressalte-se que o Espírito Santo e a cidade de Vitória tiveram, recentemente, revalidada a nota A do Tesouro Nacional por terem mantido o equilíbrio nas contas públicas. Sem falar no crescimento de 0,4% do PIB capixaba no segundo trimestre de 2021, influenciado pela retomada das atividades da Samarco e pelo incremento dos serviços, do comércio e do ritmo de produção de empresas importantes sediadas no Estado.
Com relação às incertezas do cenário nacional, os especialistas da XP lembram que sua origem está no desequilíbrio das contas públicas, ameaçado ainda mais pela obrigação do pagamento recorde de precatórios, e pelo crescimento da inflação que tem impacto direto na taxa de juros, no câmbio e nos investimentos. Acrescente-se ao risco fiscal também o risco político com o radicalismo decorrente da antecipação da campanha eleitoral.
O secretário Bruno Funchal aponta como prioridade do governo federal o equacionamento da questão orçamentária para permitir honrar o pagamento das despesas obrigatórias – especialmente as judiciais, como os precatórios – e destravar as políticas sociais como o Auxílio Brasil. O caminho, para ele, passa por encontrar soluções junto ao Legislativo e ao Judiciário.
Para completar o cenário macroeconômico, os especialistas lembram a desaceleração econômica mundial e a crise hídrica que impacta a disponibilidade de energia, que ameaçam a produção e aceleram a inflação. Não são outras as razões que fizeram a XP rever suas projeções de crescimento do PIB brasileiro em 2021 para 1,3% sem ainda considerar a hipótese de racionamento de energia.
Somados o otimismo local com as incertezas nacionais fica a conclusão de Caio Megale de que o foco do governo brasileiro, nos próximos três meses, deveria estar direcionado ao equacionamento do orçamento, à redução da tensão política e à formulação de planos de contingência para a crise hídrica. Se o governo tem, ou terá, esse foco, só o tempo dirá.