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José Carlos Corrêa

O bom exemplo de Geraldo Rocha

A atuação em um projeto que ajudou a pensar o futuro do Espírito Santo e a convivência marcada pela competência, generosidade e amizade revelam o legado de Geraldo Rocha

Publicado em 06 de Novembro de 2026 às 03:00

Públicado em 

06 nov 2026 às 03:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

Das boas lembranças que guardo de Geraldo Rocha, duas delas são as mais marcantes. Uma se refere ao profissional obstinado, focado em resultados, incansável na perseguição de metas e objetivos. A outra é a figura humana, solidária, sempre pronta a ouvir e a aconselhar, parceira e confiável.


A conjugação dessas qualidades resultou em uma pessoa amiga, de convívio prazeroso e um maravilhoso exemplo para todos nós. Conheci Geraldo durante a realização do projeto “Espírito Santo Século 21 – geração do futuro capixaba”. O projeto foi concebido no final de 1985 e lançado oficialmente em dezembro do ano seguinte, uma arrojada iniciativa de Carlos Fernando Lindenberg Filho, diretor da Rede Gazeta. Durante os cinco anos que se seguiram o projeto foi realizado graças à parceria da Rede Gazeta com a Ufes, Geres, Bandes e Coplan.


Foi um projeto ousado. Seu objetivo era o de “mobilizar a sociedade capixaba e motivá-la a prestar sua contribuição cultural e técnica na discussão dos problemas do Espírito Santo e no encadeamento de soluções que mais atendam aos anseios da população”. Se dispunha a definir um planejamento estratégico de longo prazo para o Estado que valorizasse, na execução, “tudo o que concorra para aprofundar o debate e evitar o que possa restringi-lo às minorias ou à superfície”, como escreveu Lélio Rodrigues, convidado a elaborar o projeto inicial.

Geraldo Rocha morreu no dia 27 de outubro de 2026
Geraldo Rocha morreu no dia 27 de outubro de 2026 Divulgação

Não era fácil levar adiante um projeto tão desafiador. Tanto que um jornalista comentou após ler o texto de Lélio: “Está me faltando lucidez para compreender esse projeto”. Isso bastou para que os colegas de redação, sempre irreverentes, quando chamados a colaborar com a divulgação dos eventos do projeto, o apelidassem de “guerra nas estrelas”.


Para enfrentar os desafios da execução do projeto, a Ufes escalou o professor Roberto Garcia Simões, o Bandes indicou o economista Geraldo Rocha e eu fui o escolhido pela Rede Gazeta. A execução se deu em três fases, sendo a primeira a elaboração, por especialistas criteriosamente escolhidos, de 28 documentos básicos sobre o Espírito Santo e a edição de um texto-síntese intitulado “Os grandes diretores do processo de transformação do Espírito Santo”.


A realização de reuniões em cada um dos municípios e de seminários nas oito microrregiões do Espírito Santo, compôs a segunda etapa que resultou na elaboração do documento “O futuro desejável da sociedade capixaba”. Foi nessa fase que eu, Roberto e Geraldo percorremos o Estado reunindo as lideranças mais expressivas de todas as cidades recolhendo contribuições que enriqueceram o trabalho.

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A terceira e última fase do projeto constou da realização de debates sobre o texto produzido na fase anterior que reuniram os segmentos organizados da sociedade capixaba e, em seguida, discussões abertas ao público no auditório da Rede Gazeta. O projeto foi concluído em 24 de janeiro de 1991 com a edição do documento final intitulado “Agendas para o futuro”, cujo texto foi entregue às autoridades – em evento realizado na Rede Gazeta – e distribuído à sociedade em forma de caderno especial de A Gazeta.


O desempenho de Geraldo no “ES Século 21” foi tão marcante que ele, após a conclusão do projeto, passou a integrar os quadros da Rede Gazeta atuando na área de planejamento e de implantação do programa de Qualidade Total. Foi então que eu e ele nos aproximamos ainda mais, consolidando uma grande amizade que atravessou os anos que se seguiram.


Geraldo partiu no dia 27, enquanto cochilava após o café da manhã, como me contaram. Recebi a notícia do seu falecimento pelo amigo Leonel Ximenes. No dia seguinte, acompanhei o culto de gratidão pela sua vida na Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, onde Geraldo era presbítero emérito. Lembrei-me da cantata de natal que assisti naquele local, há alguns anos, como seu convidado. Recordei passagens da vida de Geraldo com alguns de seus ex-colegas de trabalho. Abracei os seus filhos e me despedi do amigo. 


E me confortei ao ouvir o celebrante do culto citar a frase de Jesus no Evangelho de João: “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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