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Religião

Campanha chama atenção para nosso compromisso cristão de servir

É tempo de conscientizar os cristãos de que é dever evangélico lutar pela justiça para alcançar a paz

Publicado em 11 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 mar 2020 às 05:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

Santa Dulce é lembrada pela Campanha da Fraternidade Crédito: Divulgação
A Campanha da Fraternidade tem como objetivo propor a evangelização em consonância com a realidade contemporânea, resgatando necessidades que exigem solução imediata.
No Espírito Santo, a campanha foi aberta por uma belíssima caminhada, onde uma multidão pediu justiça, ações concretas do poder público em favor do povo, principalmente dos humildes, e redução da violência.
O arcebispo de Vitória – Dom Dario Campos, que preside a Campanha da Fraternidade no Estado, nasceu em Castelo. Ele é franciscano, seguidor de São Francisco de Assis, o santo dos pobres e oprimidos.
As ações deste ano estão centradas no compromisso de servir e ajudar aos mais necessitados com atitudes concretas, servindo-se do exemplo de vida de Santa Dulce, primeira brasileira canonizada. (Em 13 de outubro de 2019, pelo Papa Francisco). Irmã Dulce foi conhecida por muitos como "Anjo bom da Bahia".
Durante a explicação da escolha do tema da campanha, o secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella, citou situações contemporâneas que põem em risco o valor da vida – “As mortes nas ruas, nas macas de hospitais, as provocadas por balas perdidas, a fome, o desemprego, a ausência de moradia para milhões, a inexistência de educação para todos, a devastação dos campos e reservas indígenas, os índices crescentes de suicídio”.
Para Dom Joel Portella, é necessário refletir se os casos não estariam sendo tratados com indiferença levando ao ponto de acreditar que a morte seja a solução para muitos problemas.
O ato de rezar, orar, foi ensinado por Jesus Cristo – orai para que vossa alegria seja completa. (Evangelho de João, capítulo 15). Entretanto, não basta apenas orar, mas também agir.
Na cultura judaica, que é a raiz da Bíblia Sagrada, acredita-se que quando o espírito ora o corpo se move também. Quando está em oração, o judeu movimenta seu corpo continuamente. Em outras palavras, ao orar age.
No Brasil, as Comissões de Justiça e Paz, que foram criadas em muitas dioceses (inclusive na Arquidiocese de Vitória) muito contribuíram para conscientizar os cristãos de que é dever evangélico lutar pela justiça para alcançar a paz.
Em Vitória, a Comissão de Justiça e Paz foi criada por Dom Luiz Gonzaga Fernandes, que era bispo auxiliar, com apoio do arcebispo Dom João Baptista da Motta e Albuquerque. Tive a imensa graça de ter sido convocado para integrar a CJP e exercer sua presidência.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

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