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Educação

O Dia do Estudante de um ano em que não há o que comemorar

Apesar de avanços, o Brasil ainda não proporcionou ensino público de qualidade para todos. Para agravar, 2020 está quase perdido devido à pandemia de Covid-19

Publicado em 11 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 ago 2020 às 05:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Desfile durante o governo de João Punaro Bley em frente ao Palácio do Governo
Desfile durante o governo de João Punaro Bley em frente ao Palácio do governo Crédito: Acervo do Arquivo Público do Espírito Santo
Hoje, 11 de agosto, é o Dia do Estudante. A data, comemorada nacionalmente desde 1927, refere-se a um marco dos tempos do Império: a fundação, no dia 11 de agosto de 1827, das primeiras Faculdades de Ciências Jurídicas e Sociais do Brasil, localizadas nas cidades de São Paulo (SP) e Olinda (PE).
No Espírito Santo, outras duas datas foram dedicadas aos discentes. Em 1935, incluído no programa da “Semana da Bondade”, o “Dia do Estudante” foi celebrado em 17 de maio. Dois anos depois, a homenagem, agora intitulada de “Dia do Estudante Capixaba”, aconteceu no dia 2 de outubro, momento em que, após missa campal, a União Atlética Ginásio do Espírito Santo (UAGES) promoveu a eleição da rainha dos estudantes, passeata nas ruas de Vitória e baile “a traje de passeio”.
Em 1938, uma expressiva cerimônia foi realizada em Cachoeiro de Itapemirim para inaugurar a “Casa do Estudante”. O evento, prestigiado pela embaixada do Liceu Muniz Freire, Escola de Comércio e pelo Secretário de Estado da Educação, “transcorreu emocional em suas manifestações e animado da força confiante, da fé exaltada, da alegria sã da gente moça”, destacou a Vida Capixaba, a principal revista do Estado na época.
No ano seguinte, os alunos da capital ofereceram mais uma festa no “Club Vitória” e elegeram Angela De Biase, aluna do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, como rainha. Segundo a Vida Capixaba, a solenidade “revestiu-se de grande brilhantismo e contou com o concurso da nossa alta sociedade, intelectuais, artistas, jornalistas e grande número de estudantes de quase todos os educandários da nossa capital”.
Nesses dias, destaca-se, o governador João Punaro Bley chegou a decretar feriado escolar com o objetivo de enaltecer os atos. Portanto, conforme descrito na imprensa, essas festividades eram valorizadas pelo poder público e muito populares na década de 1930, um período conturbado na política, de poucas escolas e professores, mas também de progressos como a criação do Ministério da Educação.
Décadas depois e, apesar dos avanços, o Brasil ainda não proporcionou ensino público de qualidade para todos. Para agravar, 2020 está quase perdido devido à pandemia de Covid-19, algo que acentuará as desigualdades sociais já tão evidentes no país. Assim, diante do coronavírus, da inépcia do MEC e dos históricos problemas da educação, é importante que o debate sobre o retorno das aulas presenciais seja fundamentado na segurança dos profissionais da área e da classe estudantil, afinal, atitudes precipitadas podem colocar toda a sociedade em risco.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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