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Memória

Educação e preservação do patrimônio cultural: um debate necessário

Um povo que desvaloriza o próprio patrimônio cultural só o faz pela falta de conhecimento. Como cuidar do que mal se conhece?

Públicado em 

01 out 2019 às 18:19
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Museu Solar Monjardim, em Vitória Crédito: Fabio Vicentini/ Arquivo AG
“Só se preserva o que se ama, só se ama o que se conhece”. A frase de Rodrigo Melo Franco de Andrade, que por décadas presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é um convite a reflexão sobre o patrimônio cultural e a importância da sua preservação para a sociedade.
Mas o que seria patrimônio cultural? Ainda que seja um conceito polissêmico, a noção de patrimônio, segundo o Iphan, passa pelo conjunto de bens materiais e imateriais que contam a história de um povo e a sua relação com o meio ambiente. Trata-se do legado que herdamos e que transmitimos para as futuras gerações. Entre os bens de natureza material estão as cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos, acervos museológicos, documentais, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos. Por sua vez, o bem imaterial é aquele composto pelas práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, como o processo de fabricação artesanal das panelas de barro em Goiabeiras, Vitória, bem cultural registrado pelo Iphan, como Patrimônio Imaterial, em 2002.
Apesar de alguns avanços, temos visto exemplos de descaso com a área cultural, como o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, deixando um prejuízo incalculável para o país. Outras situações servem de alerta: em muitos municípios manifestações culturais carecem de apoio e são desprezadas, acervos familiares vão literalmente para o lixo, e, além disso, várias construções do século XIX e início do século XX, espalhadas pelo Espírito Santo, são tratadas como “coisa velha” e impiedosamente colocadas no chão em nome da tal “modernidade”, como se o novo não pudesse se harmonizar com o antigo.
Todo esse relato nos remete a frase inicial do texto. Afinal, um povo que desvaloriza o próprio patrimônio cultural só o faz pela falta de conhecimento. Como cuidar do que mal se conhece? Quando não se ama, o caminho natural é o descarte. E descartar a própria origem, é jogar fora nossa identidade, aquilo que somos.
Um dos mecanismos para reverter a indiferença e preparar gerações mais interessadas pela cultura é a educação patrimonial, um recurso que, se focado no reconhecimento e valorização de nossas raízes, pode-se tornar uma ferramenta poderosa de transformação social. A educação patrimonial, ou seja, ações educativas voltadas para o reconhecimento da cultura, ajuda produzir o sentimento de pertencimento, em que as pessoas passam a entender que pertencem a um lugar e a uma cultura e a partir daí resgatam uma memória coletiva, gerando um processo de autoestima na comunidade, o que é fundamental para trilhar um caminho de desenvolvimento, tanto cultural, e a partir dele, também econômico.
Na promoção da educação patrimonial é importante que se estimule a participação dos Conselhos Municipais de Cultura, Institutos Históricos, Academias de Letras e museus de todo o Estado, já que são instituições estratégicas para criar e fortalecer parcerias com escolas, faculdades, empresas e órgãos governamentais ligados à cultura.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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