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Segurança Pública

Por que uma perseguição policial como a de Camburi não é uma boa ideia

Perseguições são muito populares no cinema. Rendem cenas empolgantes, visualmente impactantes e literalmente “movimentam” o enredo. Na vida real, as polícias dos EUA não fazem isso com tanta frequência, mas fazem

Publicado em 29 de Junho de 2025 às 05:00

Públicado em 

29 jun 2025 às 05:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Esta semana tivemos um incidente em Camburi que guarda semelhança com outro ocorrido não há tanto tempo na avenida Leitão da Silva: forças de segurança perseguindo e trocando tiros com criminosos. Desta vez foi todo mundo preso sem vítimas fatais, mas não é esse o foco.
Perseguições são muito populares no cinema. Rendem cenas empolgantes, visualmente impactantes e literalmente “movimentam” o enredo. Na vida real, as polícias dos EUA não fazem isso com tanta frequência, mas fazem. E não é uma boa ideia.
Por mais treinados e cuidadosos que sejam os policiais, há sempre o risco de algum transeunte ser atingido, seja por balas perdidas, seja pelos veículos envolvidos. E, claro,  eles não têm muito controle do que um bandido em fuga é capaz de fazer. Por definição, delinquentes não têm muito apreço pela vida do cidadão. Na melhor das hipóteses, são feitas prisões, recuperados os bens roubados, mas a população toma um susto danado.
Claro, nem sempre se pode prever quando uma abordagem vai acabar em fuga e caça, mas deveriam ser evitados esses incidentes. Só que não é natural do ser humano deixar a presa escapar. Depois que está no encalço do suspeito, o policial tende a continuar mesmo com risco pessoal e para terceiros.
A bem da verdade, esses episódios são relativamente raros no asfalto, mas a conversa muda quando falamos de regiões ocupadas pelo tráfico. A vizinhança volta e meia fica refém de tiroteios entre delinquentes ou entre estes e a polícia. Isso foi normalizado, isto é, passou a ser um modo de funcionamento cotidiano das forças de segurança, não uma exceção.
Acontece que as coisas podem ser feitas de maneira muito mais racional, segura e produtiva. Também esta semana, doze bicicletas elétricas foram furtadas de uma loja por um grande número de ladrões, rendendo imagens muito chamativas.
Combater o tráfico ou qualquer outro crime não implica bangue-bangue.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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