Esta semana tivemos um incidente em Camburi que guarda semelhança com outro ocorrido não há tanto tempo na avenida Leitão da Silva: forças de segurança perseguindo e trocando tiros com criminosos. Desta vez foi todo mundo preso sem vítimas fatais, mas não é esse o foco.
Perseguições são muito populares no cinema. Rendem cenas empolgantes, visualmente impactantes e literalmente “movimentam” o enredo. Na vida real, as polícias dos EUA não fazem isso com tanta frequência, mas fazem. E não é uma boa ideia.
Por mais treinados e cuidadosos que sejam os policiais, há sempre o risco de algum transeunte ser atingido, seja por balas perdidas, seja pelos veículos envolvidos. E, claro, eles não têm muito controle do que um bandido em fuga é capaz de fazer. Por definição, delinquentes não têm muito apreço pela vida do cidadão. Na melhor das hipóteses, são feitas prisões, recuperados os bens roubados, mas a população toma um susto danado.
Claro, nem sempre se pode prever quando uma abordagem vai acabar em fuga e caça, mas deveriam ser evitados esses incidentes. Só que não é natural do ser humano deixar a presa escapar. Depois que está no encalço do suspeito, o policial tende a continuar mesmo com risco pessoal e para terceiros.
A bem da verdade, esses episódios são relativamente raros no asfalto, mas a conversa muda quando falamos de regiões ocupadas pelo tráfico. A vizinhança volta e meia fica refém de tiroteios entre delinquentes ou entre estes e a polícia. Isso foi normalizado, isto é, passou a ser um modo de funcionamento cotidiano das forças de segurança, não uma exceção.
Acontece que as coisas podem ser feitas de maneira muito mais racional, segura e produtiva. Também esta semana, doze bicicletas elétricas foram furtadas de uma loja por um grande número de ladrões, rendendo imagens muito chamativas.
Contudo, em questão de um dia ou dois, havia nove adolescentes apreendidos, dois maiores presos, e dez bicicletas recuperadas. Cirúrgico.
Combater o tráfico ou qualquer outro crime não implica bangue-bangue.