Tivemos três episódios recentes de policiais sendo baleados no cumprimento do dever. Acontecimentos trágicos, mesmo que, no final, todos venham a se recuperar inteiramente. E medidas estão sendo estudadas, inclusive a aquisição de capacetes balísticos. Até aqui, tudo certo, mas as manchetes também foram ocupadas por declarações infelizes do comandante da corporação, insinuando que os responsáveis por tais agressões poderiam ser mortos em retaliação.
Pura retórica vazia. O próprio Coronel Caus nunca foi de esculachar bandido e tem uma longa carreira sempre respeitando os Direitos Humanos. Além disso, a tropa da PM tem demonstrado muito preparo inclusive nesses casos, não recorrendo a nenhum tipo de vingança.
Posso assegurar que os autores dos disparos, se se renderem sem resistência, serão tratados como manda a lei e terão sua integridade física respeitada. Se empreenderem fuga sem atirar contra policiais, provavelmente serão alcançados, mas, uma vez dominados, também serão preservados. Agora vem a surpresa.
Dei-me ao trabalho de avaliar os incidentes em que houve o crime de resistência por parte do criminoso e cheguei a uma conclusão espantosa: em 2022, o pior ano da série, em 90% dos casos, o suspeito foi preso vivo. Em anos melhores, apenas 2% dos que praticavam a resistência acabavam mortos. Mesmo resistindo a tiros, o criminoso geralmente é preso com vida.
Graças à adoção do Método Giraldi de preservação da vida e a anos de comando firme, nosso policial militar médio adquiriu elevado grau de preparo profissional. E não estou falando apenas de técnica, mas também de capacitação psicológica para, em fração de segundos, tomar a decisão correta.
E isso é muito importante, porque o criminoso, ciente de que não sofrerá violência injustificada, tem menos motivos para resistir de forma violenta. O Método Giraldi não previne apenas as mortes durante confrontos, ele evita que essas trocas de tiro ocorram, reduzindo o risco para todos os envolvidos, inclusive para transeuntes.
Nossos policiais militares estão – claro, sempre há exceções – indo para as ruas com o ferramental necessário, mas também com o treinamento, o repertório e a capacitação psicológica para impor a lei com rigor, mas sem excessos e, eu diria mais, deixam de usar a força mesmo quando ela até seria justificável, porque confiam na própria capacidade de resolver as mais difíceis situações deixando a pistola na cintura.
Então, a única nota destoante foi esse discurso para a torcida. A PM vai lidar com esses três incidentes como lidou com todos os anteriores: com energia, racionalidade, técnica e eficiência. Provavelmente, sem nenhuma vítima fatal. Falas mal calibradas podem passar uma imagem errada e, na eventualidade de algum desses malfeitores realmente perder a vida, podem lançar uma sombra de suspeita sobre os profissionais envolvidos e sobre o próprio comandante.
Melhor seria que, mesmo nesses momentos trágicos e revoltantes, ele pregasse para a tropa o que sempre praticou individualmente: profissionalismo e tranquilidade em meio às adversidades. Nada de seta para o lado errado.