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Reestruturação

O general da banda: segurança pública dá samba?

Aprendi, com meus próprios erros, que a pronta resposta a ocorrências não é nem de longe tão importante, na prática, quanto ações determinadas pelo comando e não por demandas da população

Públicado em 

05 set 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Viaturas do extinto Batalhão de Missões Especiais (BME)
Viaturas do  Batalhão de Missões Especiais (BME) Crédito: Divulgação/SESP
Entre todas as providências anunciadas pelo governo estadual dentro de um pacote de segurança pública, a recriação do Batalhão de Missões Especiais é a que mais chama a atenção e, juntamente com a criação do Batalhão de Cães, as de maior significado potencial.
Como ninguém ignora, o atual Secretário de Segurança Pública tem o BME tatuado no coração, o que representa um risco – o de as decisões não serem estritamente racionais – e uma oportunidade – a de tudo acontecer com muita motivação e entrega afetiva. Por outro lado, o BME e a ROTAM foram unidades extintas por terem sido avaliadas como focos do movimento paredista de 2017 e essa é uma decisão extremamente delicada que depende de muita consciência da situação atual: simplesmente não é possível, para quem não está dentro da tropa, dizer se é uma boa ou má ideia sob este aspecto. No entanto, quem conhece o Coronel Ramalho sabe o quanto é cioso da disciplina e do cumprimento do dever militar.
Sob outro aspecto, não há motivos para nos afastarmos de análises anteriores: a estrutura de burocracia e comando de uma unidade policial deve ser proporcional aos seus recursos operacionais. Há algo de simbólico na decisão: o futuro dirá se o BME será recriado ou refundado.
Há, também, uma escolha estratégica fundamental, caso o BME e o Batalhão de Cães recebam efetivo adicional significativo. Como também registrei em outra coluna mais antiga, aprendi, com meus próprios erros, que a pronta resposta a ocorrências não é nem de longe tão importante, na prática, quanto ações determinadas pelo comando e não por demandas da população.
E, se seguirmos por este caminho das operações com cães, seria particularmente importante também colocar uma lupa no ciclopatrulhamento, um potencial pouco explorado, e no policiamento a cavalo, que precisa crescer para ganhar economia de escala.
Outra escolha embutida na decisão de criar um BME com o efetivo aumentado é a aposta em treinamento e equipamentos especiais. Isso implica uma polícia menos tempo na rua e mais aquartelada, aperfeiçoando o adestramento; uma PM sendo menos vista pela população e mais sentida pelos criminosos.
Com o apoio de um serviço de inteligência anabolizado, a instituição terá oportunidade de fazer muito mais que apenas ressuscitar um emblema da corporação. É uma aposta grande, tem seus riscos, mas é fácil perceber o potencial dessa medida. Agora, por mais que a PMES seja apegada às suas tradições, não está fácil é atinar com o objetivo estratégico do reforço em sua banda de música, anunciado em conjunto.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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