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Organizações criminosas

Como desmontar e remontar a sua própria quadrilha

Maduro foi entregue aos EUA apenas porque Trump precisava de um prisioneiro famoso para apresentar a seus eleitores e a organização queria continuar operando, agora fornecendo petróleo sem as sanções

Públicado em 

05 abr 2026 às 04:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Como o leitor sabe, eu, por engano, tirei a fiação da antena coletiva e não tenho acesso à TV aberta. Por isso, não adianta me perguntarem sobre o que passou no Fantástico. E, hoje, estou com vontade de me passar por comentarista político internacional. Afinal, jamais escrevo sobre algo que realmente entenda. Hoje vamos explicar o que realmente aconteceu com Nicolás Maduro. Aquilo que a Globo não quer que você saiba: não, Maduro nunca foi um ditador de esquerda.
Traficantes costumam buscar domínio de territórios, porém com a intenção de manter exclusividade “comercial” na região, proteger-se de seus “concorrentes” e apenas secundariamente, da polícia. É comum que pratiquem assistencialismo, mas isso é apenas para conseguir algum nível de apoio da população vizinha e poder pensar em si mesmo como pessoas legais, no final das contas.
De vez em quando dão uma coça em bandidos menores que andaram assaltando na comunidade e atrapalham seus negócios. Além disso, querem acreditar e fazer crer que prestam mais um serviço à população local, mas isso não quer dizer que pretendem, realmente, montar um “Judiciário”. Não é nada diferente do que sempre fez a Cosa Nostra na Sicília. Lembrem disso: os traficantes querem domínio territorial, mas não têm a menor intenção de estabelecer um governo local. São apenas negócios.
O “chavismo” nunca foi um regime político, um grupo governando a Venezuela. Qualquer ditador fajuto é capaz de apresentar eleições fraudadas, porém Maduro nem sequer se deu ao trabalho de mostrar umas atas de apuração falsificadas que o Brasil exigiu para reconhecê-lo presidente. Não, o chavismo nunca assumiu realmente o governo da Venezuela e nunca passou de uma organização criminosa que praticamente extinguiu o Estado.
O crime organizado pode ser mais ou menos violento, mais ou menos ostensivo, mas, para falar em ditadura, é preciso haver governo. E organizações criminosas funcionam sob a lógica do capitalismo mais selvagem; portanto, por definição são de direita, se bem que, na prática, não têm uma construção ideológica, é tudo business. O que não as impede de adotar algum discurso ostensivo, se lhe for útil. Chaves e Maduro são tão de esquerda quanto os traficantes do Complexo de Israel são evangélicos.
Vocês já viram como os mafiosos americanos se abraçam efusivamente e conversam como se fossem irmãos de sangue? Mas não hesitam em executar qualquer um dos comparsas. E não apenas vão ao velório, como cuidam da viúva. Criminosos precisam manter um low profile, isto é, não chamar a atenção para si e muito menos para a organização. Eles fazem de tudo para proteger uns aos outros da Justiça, mas apenas para evitar delações premiadas.
Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos e está indo de navio para Nova York
Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos e está indo de navio para Nova York Crédito: Reuters/Folhapress
Quando os crimes de algum deles começam a aparecer demais nos meios de comunicação e eles não conseguem fazer um discurso minimamente verossímil, quando já foram condenados pela opinião pública, o mínimo que farão é jogá-lo aos tubarões e fingir que nunca o conheceram.
Maduro foi entregue aos EUA apenas porque Trump precisava de um prisioneiro famoso para apresentar a seus eleitores e a organização queria continuar operando, agora fornecendo petróleo sem as sanções que prejudicavam os negócios e encareciam o combustível que os norte-americanos consomem avidamente. Ninguém fez questão de “derrubar o regime” e, diga-se de passagem, se Maduro não foi eleito, consequentemente sua vice também não recebeu voto nenhum.
Isso acontece todos os dias com os capi no mundo inteiro. Organizações criminosas funcionam parecido com aquele poema de Carlos Drumond de Andrade... QUADRILHA: João odiava Teresa que detestava Raimundo que tinha raiva de Maria que não suportava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili está presa por matar J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história.
Feliz Páscoa.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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