Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 18:09
A imagem correu o mundo em questão de minutos.>
A primeira foto de Nicolás Maduro após ser detido no âmbito de uma operação militar dos Estados Unidos, neste sábado, ficará na memória de muitos.>
O registro fotográfico veio a público poucas horas depois de tropas de elite dos EUA prenderem quem comandava o regime venezuelano desde 2013, em uma operação ordenada pelo próprio Donald Trump.>
Foi o próprio Trump quem compartilhou a fotografia de Maduro na rede Truth Social, no momento em que a então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, pedia uma prova de vida após a captura do mandatário e de sua esposa.>
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Até agora, sabe-se que Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram presos durante a madrugada no Forte Tiuna, no sudoeste de Caracas, e depois transportados de helicóptero até o navio de guerra Iwo Jima, para serem levados — via Cuba — a Nova York.>
Ali, ambos enfrentarão a Justiça norte-americana por acusações de conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para introduzir cocaína nos EUA e outros crimes relacionados a armas.>
Na BBC Mundo, especialistas em defesa e operações militares foram consultados sobre quais conclusões podem ser tiradas dessa primeira imagem, na qual Maduro aparece vestindo roupas esportivas, com as mãos aparentemente algemadas e com sentidos como a visão e a audição bloqueados.>
Para Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e assessor sênior do Departamento de Defesa e Segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), "o governo tratou essa detenção como uma questão de aplicação da lei, e não como uma operação militar, por isso Maduro foi tratado como um detido".>
"Isso se reflete primeiro na retórica e também no tratamento: ele é capturado, transferido para centros de detenção, e se aplicam a ele todos os procedimentos que seriam aplicados a qualquer preso acusado de um crime", acrescenta.>
Segundo especialistas, nesse contexto, é uma prática comum — particularmente nos Estados Unidos — que, em operações desse tipo, sejam bloqueados sentidos como a visão e a audição.>
"Tratam-se de técnicas de detenção comuns em apreensões militares, que servem tanto para silenciar ou isolar o detido e impedir que ele se comunique com outros quanto para proteger a segurança da missão, evitando que o detido conheça os métodos, o pessoal, os locais e as capacidades empregadas durante a operação", afirma John Spencer, especialista norte-americano em operações militares e guerra urbana e presidente de Estudos de Guerra Urbana do Modern War Institute, em West Point.>
Matthew Savill, diretor de Ciências Militares do Royal United Services Institute (RUSI) — o mais antigo centro de estudos de Defesa e Segurança do mundo e o principal do Reino Unido — concorda que esses protocolos respondem a motivos táticos.>
"O mais provável é que isso seja feito para que ele esteja mais subjugado e tenha menos chances de escapar, além de dificultar que consiga identificar qualquer um dos integrantes da equipe da Força Delta envolvidos em sua captura", afirma.>
Alguns analistas, no entanto, apontam que o uso de fones de ouvido no caso de Maduro pode se dever simplesmente ao deslocamento de helicóptero até o navio de guerra Iwo Jima, onde esse tipo de proteção é exigido por protocolo.>
Outro elemento da imagem é a garrafa de água que Maduro segura entre as mãos.>
"Eu considero isso uma medida habitual de saúde e segurança para detidos; eles precisam de água. Acho que é algo bastante padrão", diz Cancian.>
Na imagem, também é possível ver Nicolás Maduro com um objeto ao redor do pescoço.>
Segundo especialistas consultados pela BBC Mundo, trata-se de um colete salva-vidas inflável, como os usados normalmente em aeronaves e na Marinha como medida de segurança em caso de contato dos passageiros com a água.>
O colete aparentemente conta com um sistema de inflagem manual e outro com cilindros de CO₂, perceptíveis como pequenas esferas pretas ao redor do equipamento.>
Além disso, alguns analistas destacam as etiquetas laranja e pretas visíveis atrás das mãos.>
Esses itens seriam luzes químicas, que brilham no escuro e costumam ser colocadas nos passageiros quando há deslocamento noturno sobre o convés de voo, para facilitar sua identificação.>
A imagem de Maduro também sugere o contexto em que ele foi detido.>
A posição das mãos indica que ele aparentemente está algemado, e sua vestimenta — um conjunto esportivo — sugere que a operação pode tê-lo surpreendido durante a madrugada.>
Isso coincide com a versão apresentada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que tanto Maduro quanto sua esposa foram capturados enquanto tentavam se trancar em uma sala segura no Forte Tiuna.>
"Ele estava tentando chegar a um lugar seguro, que não era seguro, porque teríamos explodido a porta em cerca de 47 segundos", disse Trump.>
"Ele chegou até a porta. Não conseguiu fechá-la. Foi imobilizado tão rapidamente que nem chegou a entrar naquele cômodo", acrescentou.>
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