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Caso triste

'Essa criança sofreu muito', diz perito no quinto dia do julgamento do caso Henry

O perito Luiz Carlos Leal Prestes reforçou a tese da acusação de que as lesões sofridas por Henry Borel Medeiros não foram provocadas por manobras de reanimação nem por acidente doméstico

Publicado em 29 de Maio de 2026 às 14:14

Agência FolhaPress

Publicado em 

29 mai 2026 às 14:14
Henry Borel, menino assassinado aos 4 anos, no Rio de Janeiro
Henry Borel morreu aos 4 anos, na Barra da Tijuca, em 2021 Acervo de família
O quinto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros Costa e Silva foi retomado nesta sexta-feira (29) com o depoimento do perito Luiz Carlos Leal Prestes, testemunha do Ministério Público.
Médico formado há 44 anos e perito há três décadas, ele reforçou a tese da acusação de que as lesões sofridas por Henry Borel Medeiros não foram provocadas por manobras de reanimação nem por acidente doméstico.
Ao comentar o estado em que a criança chegou ao hospital, o perito afirmou que Henry já aparentava estar morto ao dar entrada da unidade. Segundo ele, a temperatura corporal registrada na emergência, de 34°C, indicaria que a morte teria ocorrido entre duas e três horas antes da entrada de Henry no Hospital Barra D’Or.
Segundo o especialista, a laceração hepática que provocou a hemorragia interna responsável pela morte da criança ocorreu enquanto Henry ainda estava vivo.
"A hemorragia só se dá com o indivíduo vivo. Não se tem hemorragia com o sangue preenchendo a cavidade abdominal com a pessoa morta", afirmou.
O perito declarou ainda que as lesões identificadas no corpo da criança foram produzidas de forma independente e incompatíveis com uma única queda.
"O acidente doméstico está totalmente descartado. Isso é uma coisa fantasiosa", disse aos jurados.
De acordo com Prestes, uma queda da cama não explicaria a multiplicidade de ferimentos encontrados em diferentes partes do corpo. Ele também afirmou que Henry apresentava sinais de edema cerebral provocados por ações contundentes na cabeça.
O especialista diferenciou ainda lesões produzidas em vida daquelas causadas durante os procedimentos médicos. Segundo ele, marcas encontradas no nariz e nos lábios seriam compatíveis com tentativas de entubação realizadas durante a reanimação.
Prestes afirmou que Henry sofreu intensamente antes de morrer. "Essa criança sentiu muita dor. Essa criança sofreu muito. Essa morte foi lenta, foi agônica", declarou.
Durante a exibição de imagens das lesões da criança, Monique deixou o plenário, por volta das 10h20, para receber atendimento médico do Tribunal de Justiça do Rio. Até o fim da manhã, ela ainda não havia retornado à sessão.
O julgamento desta semana ocorre após uma primeira tentativa de júri fracassar, em março deste ano, quando os advogados de Jairinho abandonaram o plenário após terem negados pedidos relacionados a provas digitais e novas perícias.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
A acusação sustenta que o ex-vereador provocou lesões fatais na criança por meio de agressões contundentes e que Monique, na condição de mãe e responsável legal, teria se omitido diante da violência sofrida pelo filho.
Até o início da tarde desta sexta-feira, o perito Luiz Carlos Leal Prestes ainda seguia sendo ouvido pelos advogados de defesa.
A previsão é que o júri ouça ainda nesta sexta o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, assistente da acusação indicado por Leniel Borel, pai da criança.
Até o momento, 11 das 27 testemunhas previstas no julgamento já prestaram depoimento.

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