Você está quase dormindo quando, de repente, sente o corpo “despencar”, leva um susto e acorda assustado. A experiência, comum para milhões de pessoas, costuma vir acompanhada de um tranco involuntário nas pernas, nos braços ou no corpo inteiro. Apesar da sensação estranha, o fenômeno tem explicação científica e, na maioria dos casos, não representa risco à saúde.
Conhecido como espasmo hipnagógico — ou espasmo hípnico —, o episódio acontece na transição entre a vigília e o sono, momento em que o cérebro e o corpo começam a desacelerar para o adormecimento. Segundo a médica especialista em medicina do sono Jéssica Polese, trata-se de uma reação involuntária e bastante frequente na população.
"A pessoa está entrando no sono, os músculos começam a relaxar e o cérebro pode interpretar essa mudança como uma sensação de perda de equilíbrio ou queda. Isso gera um impulso muscular involuntário, como um tranco”, explica.
Estudos sobre medicina do sono apontam que grande parte das pessoas já experimentou o episódio pelo menos uma vez na vida. Em alguns casos, os espasmos acontecem de forma esporádica. Em outros, podem se tornar mais frequentes em períodos de desgaste físico e emocional.
De acordo com a especialista, fatores como ansiedade, estresse, excesso de cafeína, noites mal dormidas e rotina desregulada podem aumentar a ocorrência dos espasmos hipnagógicos.
“O cérebro precisa de uma transição adequada entre estado de alerta e sono. Quando a pessoa está muito estimulada, ansiosa ou privada de sono, essa passagem tende a ficar mais instável, favorecendo esses despertares bruscos”, afirma Jéssica.
O uso excessivo de telas antes de dormir também pode contribuir para a piora do quadro. A exposição prolongada à luz de celulares, computadores e televisões interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono.
Apesar de assustar, o espasmo hipnagógico geralmente não é considerado um distúrbio do sono. Ainda assim, a médica alerta que alguns sinais merecem atenção, principalmente quando os episódios passam a ser muito frequentes ou impactam a qualidade do descanso.
“Quando esses movimentos vêm acompanhados de insônia, sonolência excessiva durante o dia, sensação constante de cansaço ou outros sintomas neurológicos, é importante procurar avaliação médica para investigar possíveis distúrbios do sono ou outras condições associadas”, destaca.
Entre as medidas que ajudam a reduzir os episódios estão manter horários regulares para dormir, diminuir o consumo de cafeína no período da noite, evitar estímulos excessivos antes de deitar e investir em hábitos de higiene do sono.
“Dormir bem não depende apenas da quantidade de horas, mas da qualidade dessa transição entre vigília e descanso. Criar uma rotina mais tranquila antes de dormir ajuda o cérebro a entender que é hora de desacelerar”, orienta a especialista.