Sempre quis ir aos lugares terminado em ‘ão’ da Ásia central e acabei de chegar de três deles: Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Confesso que voltei encantado com o que vi, pois não tínhamos muito conhecimento da realidade desses países, a não ser o que se divulgava sobre o passado histórico deles, desde a ‘Rota da Seda”, sobretudo do Uzbequistão.
Chegamos primeiro ao Cazaquistão, cuja capital, Astana, para nossa surpresa, é uma das mais belas cidades do mundo e possui cerca de 1,5 milhão de habitantes. Criada em 1997, para ser a capital do país que se tornou independente da URSS, em 1991, toda planejada, está localizada no norte do país, às margens do rio Ishim, possui uma arquitetura futurista de vanguarda, com enormes edifícios projetados por renomados arquitetos, amplas avenidas e área verde combinadas.
Como Brasília, não foi pensada para pedestres, mas para os carros luxuosos, que ostentam a riqueza do país. Pois é, o Cazaquistão é um país rico, com uma renda média alta e a economia mais desenvolvida da Ásia Central.
Possui uma riqueza nacional robusta graças à abundância de recursos naturais, pois é um dos maiores produtores e exportadores de urânio, petróleo, gás natural, carvão, cobre e zinco. Dentre as ex-repúblicas da União Soviética, é o que oferece condições de vida mais estáveis e um alto índice de desenvolvimento humano.
Desde que chegamos a Astana, ficamos surpresos com o progresso do país, a limpeza das ruas e avenidas e a segurança. Nada de gente pedindo, oferecendo serviço, querendo enganar turista, como acontece em outros países ou no Brasil. Um metrô de superfície moderníssimo acaba de ser inaugurado, ligando o aeroporto à estação ferroviária, cortando toda a cidade em poucos minutos.
Chegamos ao hotel, bem localizado na parte nova da cidade e, sem dificuldade, conseguimos o check-in antecipado e um café da manhã de boas-vindas. Moças super gentis, falando inglês influente, coisa rara, pois a maioria da população só fala o russo e o cazaque.
No entanto, observamos, desde o aeroporto, a boa vontade em se comunicar, usando o tradutor do Google. O povo está ligadíssimo nas redes sociais, sobretudo os jovens, e o tempo todo tememos ser atropelados por patinetes elétricas ou entregadores de i-food. Estávamos próximos dos principais shoppings, dentre os quais o Khan Shatyr, em forma de tenda, superlotado aos finais de semana.
No primeiro dia, andamos pelo centro, cambiamos a moeda, aprendendo o valor dos alimentos, visitamos a Ópera, pois estávamos ao lado dela, um edifício monumental, em formato clássico, que emprega centenas de pessoas, artistas e funcionários.
No dia seguinte, recebemos a guia, Rigina, professora universitária, que nos levou às margens do rio Ishim, com suas modernas pontes, e a Torre Baitherek, símbolo da cidade. De lá se avista grande parte da cidade, a Praça da Independência, os prédios da administração pública, o palácio do governo e o parlamento.
O ritual lá em cima é colocar a mão sobre o molde da mão do primeiro presidente do país, para ser fotografado. Depois, fomos visitar a Hazret Sultan, uma das maiores mesquitas da Ásia. Também visitamos mais uma mesquita, no central, e a catedral ortodoxa de Ascensão. O país é predominantemente muçulmano, mas outras religiões são aceitas.
Após o almoço, salada, legumes e carne de carneiro, acompanhados de chá, fomos visitar o Museu Nacional, onde estão as relíquias arqueológicas do país, dentre as quais os “homens de ouro”, e o Palácio da Paz e da Concórdia, um edifício em forma de pirâmide, obra-prima do arquiteto britânico Norman Foster.
À noite, jantamos com a guia, saboreando os pratos típicos do país, e, no dia seguinte, voamos para Almaty, a antiga capital, situada a 1.220 km, bem ao sul, quase na fronteira com o Quirguistão.
Saímos bem cedo e a hospitalidade cazaque ficou evidente no ‘lunch-box’ que prepararam para nós. Astana (á), palavra que significa Capital, na língua local, também é conhecida como a “Cidade da Paz” e pudemos comprovar isso, nessa breve visita.