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Brasil

Teremos um longo ano de muita incerteza pela frente

Novas lideranças não surgiram em nosso país, como no Chile, e teremos de aturar, por não sei mais quanto tempo, velhas lideranças de esquerda ou de direita, com suas mazelas e idiossincrasias

Públicado em 

03 jan 2022 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Uma disputa particular entre Lula e Bolsonaro na eleição para vereador no ES
Uma disputa particular entre Lula e Bolsonaro na eleição para vereador no ES Crédito: Divulgação
As pessoas pedem uma palavra de estímulo ao novo ano que se inicia e, sem hesitar, dizemos: PAZ! Outros preferem acrescentar SAÚDE E PROSPERIDADE! E assim fazemos nossos rituais de passagem de ano, como se, realmente, as coisas mudassem, com uma simples virada de data no calendário. Mas não é assim. Mudanças só ocorrem, de fato, quando se transformam estruturas sociais, política e econômicas, e nada disso está ocorrendo por aqui.
O que temos de real é que teremos um longo ano de muita incerteza pela frente. Espero que seja o último desse governo desastrado e inconsequente, que tornou nosso país, antes tão simpático ao mundo, um pária, com o seu extremismo ideológico de direita, que não respeita diferenças, espalha inverdades e estimula o ódio e a violência entre nós.
O desmatamento da Amazônia bate recorde, a cada mês. Garimpeiros invadem as terras dos povos indígenas e contaminam ar, água e solo, sem maiores consequências. Li um texto de uma bolsominion que me estarreceu: nele, ela diz que, antes, nunca houve preocupação com a devastação da Amazônia. Isso só ocorreu, agora, no governo do "maledetto", porque a sociedade despertou para o problema neste governo. Santa ignorância!
A mais recente bravata desse governo neofascista e dos seus apoiadores é a de que as crianças só podem ser vacinadas conta a Covid com atestado médico. Secretários de saúde de todo o país dizem que não vão cumprir isso. Basta os pais levarem as crianças para vacinar. Vejo mensagens horríveis, nas redes sociais, fake news, que mostram crianças chorando como se fossem conduzidas ao matadouro. E o ministro "Quidroga" minimiza a morte de 2 mil crianças por essa doença amaldiçoada como justificativa para não ter urgência em vacinar as crianças. Meu Deus!
No plano econômico, estamos lascados! Com uma inflação ultrapassando os dois dígitos, a maior da história, voltamos vinte anos no tempo. Funcionalismo público com salário congelado há três anos, o "Bozo" anuncia reajuste somente para a Polícia Federal, como se pudesse comprar o voto desses profissionais do Estado e não do governo brasileiro, por si sós competentes e qualificados, que sabem discernir o joio do trigo. Como represália, os da Receita Federal anunciam greve, o que impactará na arrecadação, na fiscalização e em outros vários setores essenciais para a manutenção da máquina pública brasileira.
No cenário político, o primeiro semestre será de acordos e de conchavos, para se disputar as eleições majoritárias no segundo semestre: presidente, governadores, senadores e deputados serão trocados, e a maioria dos que estão, hoje, no poder, vai dançar. A insatisfação popular vai se manifestar, claramente, nas urnas, a partir de outubro. Quem sobreviver verá.
Na escolha presidencial, teremos um primeiro turno com dezenas de candidatos, financiados pelo fundo eleitoral milionário dos partidos. No segundo turno, sobrarão os dois mais votados, provavelmente Lula e Bolsonaro, mantendo a polarização que divide o país nestes últimos quatro dolorosos anos.
Novas lideranças não surgiram em nosso país, como no Chile, e teremos de aturar, por não sei mais quanto tempo, velhas lideranças de esquerda ou de direita, com suas mazelas e idiossincrasias. Os erros do atual governo jogaram o leitor nos braços do Lula, novamente. E ele virá, com sangue nos olhos, o que é temerário. A não ser que tenha aprendido com as duras experiências por que passou. Se possível, que seja feliz o ano que se inicia.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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