Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Atos golpistas

Idosos baderneiros e criminosos em Brasília

Muita “gente de bem” se envolveu na tentativa golpista, inconformada com o resultado das eleições presidenciais do último ano, acampou em frente aos quartéis, insuflada pelo espírito antidemocrático, e deu no que deu

Publicado em 30 de Janeiro de 2023 às 00:10

Públicado em 

30 jan 2023 às 00:10
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Apoiadores de Bolsonaro invadem prédios na Praça dos Três Poderes em Brasília
Apoiadores de Bolsonaro invadem prédios na Praça dos Três Poderes em Brasília Crédito: REUTERS/Adriano Machado
O que faz uma pessoa idosa como a dona Fátima de Tubarão (SC), que se tornou famosa na intentona golpista do último 8 de janeiro, deixar o recesso de seu lar, e ir para Brasília, quebrar vidraças e invadir os palácios públicos, pedindo intervenção militar? Difícil entender.
Como se diz nas redes sociais, “brasileiro é caso para análise”. Pois bem, Maria de Fátima Mendonça Jacinto Souza, 67 anos, que aparece em vídeo invadindo o Palácio do Planalto, em Brasília, é ré contumaz, pois responde por falsificação de documento e estelionato e já foi condenada à prisão por tráfico de droga, em 2014, de acordo com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Assim como ela, muita “gente de bem” se envolveu na tentativa golpista, inconformada com o resultado das eleições presidenciais do último ano, acampou à frente dos quartéis, insuflada pelo espírito antidemocrático e deu no que deu. Foram às últimas consequência,  e dos milhares que invadiram a capital federal, mil e poucos foram presos e responderão a processo. O que espanta é que a maioria desses golpistas possui mais de 50 anos. Uma minoria é de jovens, conforme dados divulgados na imprensa.
Na história do Brasil e do mundo, não é comum movimentos como esse partirem de idosos. Mesmo o golpe militar que derrubou a monarquia e implantou a República Brasileira foi liderado por jovens intelectuais como Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva ou Rui Barbosa. A escolha do idoso Marechal Deodoro da Fonseca para presidente, monarquista convicto, foi por ser o mais antigo militar. Deu ruim, como se diz hoje.
O Marechal estava velho e doente, viveu só um ano mais e seu sucessor foi um desastre. O país viveu uma guerra civil entre florianistas e descontentes e logo depois sofreu outra guerra civil, que provocou o genocídio de Canudos, com todo o exército nacional lutando contra os miseráveis seguidores do Padre Conselheiro. Euclides da Cunha, engenheiro militar e jornalista, conta-nos todo esse horror em “Os Sertões”, obra que todo brasileiro deveria conhecer.
A Revolução Francesa, a Independência Norte-americana, a Revolução Comunista, entre tantas outras revoltas sociopolíticas, foram concebidas e lideradas por jovens, a maioria homens. As mulheres só começaram a atuar em movimentos sociais organizados, a partir do século XX, com a Revolta Sufragista, a luta pelo direito ao voto, e as revoltas feministas, iniciadas na década de 1960.
Eram, em sua maioria, jovens idealistas que lutaram e morreram por suas causas. Em 1968, a Revolta de Maio, em Paris, se espalhou pelo mundo, com jovens universitários lutando pelas causas libertárias: pacifismo, amor, discriminação racial e sexual, ecologia, entre outras causas que repercutem até hoje entre os jovens, como a ativista socioambiental sueca Greta Thunberg.
No Brasil, o golpe civil-militar de 1964 teve o apoio de famílias conservadoras, que temiam a implantação do comunismo no Brasil, unidas pelo slogan fascista de “Deus, Pátria, Família”, o mesmo retomado pela ultradireita golpista que tentou solapar o Estado Democrático de Direito, que vivemos nos dias atuais.
O que surpreende na atual tentativa golpista bolsonarista é a presença maciça de idosos, homens e mulheres, saudosos da ditadura militar, intitulando-se “patriotas”, vestidos de verde e amarelo, atentando contra os pilares da democracia, os Três Poderes e seus símbolos máximos, raivosos contra os juízes da Suprema Corte, impedindo a imprensa de cumprir seu papel de informar e destruindo bens públicos, históricos e artísticos. Por trás, empresários financiadores desses golpistas são também criminosos que precisam ser identificados e punidos.
Ainda bem que nem todos os idosos são dona Fátima. Amanhã, completa noventa anos a nossa querida professora e escritora Ester Abreu Vieira de Oliveira, presidente da Academia Espírito-santense de Letras, exemplo de mulher ativa, intelectual, recém-eleita para a Academia de Letras do Brasil, cadeira 23, cujo patrono é José Lins do Rego. À Ester, nossos parabéns! Você nos honra.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

conhecida como “Pretinha” foi atingido após se aproximar de uma residência
Suspeito de matar cadela a tiros é preso em Pancas
Neymar
Árbitro erra ao não marcar falta de Neymar em gol sobre o Fluminense
Imagem de destaque
Não é normal: 6 sinais de endometriose que costumam ser ignorados

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados