Estamos em época de confraternizações nas empresas, entre amigos e familiares, e temos a tradição do Amigo X para trocar presentes. Confesso que gosto de dar e receber livros de presentes. Fui à única livraria do shopping procurar algum livro do Silviano Santiago, meu ex-professor no Doutorado e atual ganhador do Prêmio Camões, o maior prêmio concedido a escritor de língua portuguesa.
Para minha surpresa, não encontrei nenhum livro dele, apesar de ele publicar numa das maiores editoras do país. Por outro lado, as bancas centrais estão cheias de livro de autor estrangeiro, em destaque, com suas supostas promoções. Há clássicos bem baratos, a dez reais, outros a vinte e trinta, como o “Cem anos de solidão”, mas a maioria é acima de 50, geralmente o valor mínimo estabelecido para esses presentes. Saí sem livro e devo comprar uma garrafa de vinho, pois meu amigo secreto gosta de vinhos e de livros, como eu.
Se já é difícil achar livros de autores nacionais consagrados, imagine encontrar algum de autor capixaba. Impossível. A maioria a gente só consegue se for a lançamentos e nem sempre é possível comparecer a todos. Pode haver escassez de leitores, mas de autores lançando livro, não. Só neste ano, contabilizei uma centena. A maioria de poesia, infantil ou de autoajuda. Muito joio e pouco trigo. O leitor que o separe, se conseguir.
A saída para quem gosta de ler e não gastar muito é ir a lançamento coletivo de livros gratuitos, pois foram patrocinados. Os do edital da Secult, neste ano, só consegui pegar um, pois o Saulo Ribeiro, ao me ver espremido na multidão, fez-me um lançamento literal do livro e eu o peguei no ar, vitorioso. Os demais, quando consegui chegar perto da mesa, já tinham acabado.
Há de se pensar uma maneira melhor de se distribuir esses livros. Era tão bom quando davam um número a quem chegava e, ao final, pegávamos uma sacola com todos os livros. É uma forma de premiar a quem chega primeiro e não aos mais espertos e jovens. Pense nisso, Fabrício. "Véio" sofre.
Nesta segunda-feira (19), no entanto, é dia de receber livro de graça, na biblioteca Adelpho Poli Monjardim, na Cidade Alta, às 19h. A Academia Espírito-santense de Letras, em conjunto com a Secretaria de Cultura da PMV, promove o lançamento simultâneo de quatro livros e da Revista da Academia, como é tradição há quinze anos. Trata-se do livro Escritos de Vitória ,v. 37, cuja edição deste ano homenageia os “Bairros de Vitória”.
Cerca de 30 autores escreveram sobre os diferentes bairros, em diferentes formas literárias, em prosa ou em verso. Vale a pena conferir! Dois livros da coleção José Costa preciosos também estão sendo lançados. “Memórias Capixabas”, uma coletânea com diferentes textos de autores capixabas sobre diversos municípios, organizada por Fernando Achiamé, e “Manoel Jorge Rodrigues: o precoce poeta espírito-santense e a busca pelo Parnaso no Brasil do século XIX”, alentada pesquisa feita pelo bibliotecário Auro Malaquias dos Santos , de Mogi Guaçu, sobre um poeta capixaba, um dos patronos da AEL, hoje desconhecido entre nós.
Morreu muito jovem, tuberculoso, mas deixou uma vasta obra espalhada em livros, jornais e revistas, agora recuperada por esse estudioso paulista. Um prêmio para todos os que amam a literatura de nossa terra e os seus escritores!
E, por último, o livro “Prisioneira da liberdade. Jeanne Bilich: vida e obra”, v. 34 da Col. Roberto Almada, que organizei, juntamente com Álvaro Silva e ensaio de Renata Bomfim, sobre a nossa querida jornalista e cronista Jeanne Bilich, que nos deixou precocemente em 27 de março deste ano, ficando nós, seus amigos e admiradores, órfãos de sua inteligência, de sua presença luminosa e de seu carisma. Esse pequeno livro é uma forma de deixar imortalizada sua presença entre nós.