O atual presidente brasileiro nos envergonhou em sua recente viagem à Itália, onde foi representar nosso país no G20, o grupo das vinte maiores economias do planeta. Isolado da comunidade internacional, foi tratado como um pária. Tentou mostrar para a imprensa um diálogo forçado com o presidente da Turquia, mas o que se viu foi só um monólogo de frases soltas, em que vomitou a tônica de seu desgoverno, com o silêncio e a cara de paisagem do presidente Erdogan, típicos de quem não está gostando nada do papo.
Após o encontro, sem ter participado da foto oficial e do passeio dos líderes à cidade eterna, Bolsonaro se dirigiu à cidade italiana do Vêneto, de onde veio seu bisavô. Lá, foi homenageado pela prefeita da cidade, de extrema-direita como ele, sob os protestos de grande parte dos cidadãos e o apoio de uma minoria de bolsominions.
Sem se destinar à Escócia, onde o mundo inteiro se encontrou para traçar metas que definirão a política mundial sobre o clima e a preservação do meio ambiente, encerrou seu passeio na Itália com uma cerimônia em Pistoia, o cemitério dos pracinhas brasileiros, acompanhado do gen. Braga Neto e de outros militares de sua comitiva bélica.
Para piorar tudo, convidou Matteo Salvini, líder da extrema-direita fascista italiana, para estar ao seu lado e discursar na cerimônia macabra. Desde a sua chegada à Itália, com calça e jaqueta pretas, o figurino antecipava a volta do herdeiro de Mussolini à pátria ancestral, o berço do fascismo mundial.
Não à toa, nosso Estado, que possui uma das maiores comunidades de descendentes italianos e alemães, proporcionalmente, é reduto dos seus apoiadores fanáticos, que o chamam de “mito”, quando não passa de um palmito amargo e indigesto. Incomível, como ele próprio se vangloria de ser. Para quem não leu, divulgo aqui a carta aberta escrita pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI):
"Mais uma vez o senhor envergonha o Brasil, presidente. Repudiado por governantes do mundo inteiro, em cada evento de chefes de Estado o senhor mostra que o país foi relegado a uma situação de um pária na comunidade internacional. Na reunião do G-20 neste fim de semana, mais uma vez, o senhor foi obrigado a ficar pelos cantos, como aqueles convidados indesejados a quem ninguém dá atenção. Como reação, age como um troglodita, hostilizando e estimulando agressões a jornalistas que lhe fazem perguntas corriqueiras.
É de dar vergonha. Na cerimônia de abertura do evento do G-20, no sábado, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, cumprimentou os chefes de Estado e de governo com um aperto de mão, mas o evitou claramente, fato devidamente registrado pela imprensa italiana. Não quis ser fotografado ao seu lado. Mas as coisas não ficaram por aí. Percebendo que era quase um penetra na festa, o senhor preferiu não aparecer para a foto oficial com os estadistas do mundo inteiro. Sentiu a rejeição generalizada. Tampouco sentiu-se à vontade para participar do passeio organizado pelo governo italiano para os líderes do G20, que tiraram fotos jogando moedas na Fontana di Trevi, tradicional ponto turístico de Roma.
Mas o vexame e a vergonha foram maiores. Não pararam por aí. Seus seguranças agrediram jornalistas brasileiros e roubaram seus equipamentos em represália a perguntas simples sobre as razões pelas quais o senhor não cumpriria a agenda comum aos demais chefes de Estado. Repórteres da TV Globo e do jornal “Folha de S. Paulo” e um colunista do Uol foram à delegacia de polícia formalizar queixa das agressões praticadas por seus seguranças. Foi, talvez, um acontecimento inédito. Mesmo assim, o senhor e os demais membros de sua comitiva, aí incluídos representantes do Itamaraty, foram incapazes de uma palavra de desculpa aos profissionais que estavam apenas trabalhando.
Ao contrário, continuaram hostilizando os jornalistas brasileiros. A ABI mais uma vez faz o registro: com o seu comportamento avesso à democracia e com ataques constantes à imprensa e ao trabalho dos jornalistas, o senhor estimula essas agressões. Assim, torna-se também responsável por elas. E, como numa bola de neve, elas só aumentam seu isolamento e o repúdio que o senhor recebe da comunidade internacional. Pior, o isolamento não é só seu. Atinge e envergonha o país que o senhor representa. O senhor está tornando o Brasil um pária na comunidade internacional, presidente. Tenha compostura." (Paulo Jeronimo)