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Fluminense impôs humilhação e choque de realidade ao Flamengo

Tricolor deu uma aula de futebol e mostrou seu potencial para os principais torneios da temporada. Já o Rubro-Negro precisa entender que mesmo com um elenco multicampeão precisa reconhecer erros e corrigir rota o quanto antes

Publicado em 10 de Abril de 2023 às 02:00

Públicado em 

10 abr 2023 às 02:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Ganso levanta a taça e elenco do Fluminense faz a festa com o título carioca no Maracanã
Ganso levanta a taça e elenco do Fluminense faz a festa com o título carioca no Maracanã Crédito: Mailson Santana/Fluminense FC
De 2021 até os dias atuais, Flamengo e Fluminense se enfrentaram 14 vezes. Foram nove vitórias do Tricolor, dois empates e três vitórias do Rubro-Negro. A freguesia do Fla é confirmada nos números, mas nenhuma das derrotas recentes se compara ao que aconteceu na noite deste domingo (09), no Maracanã. O Fluminense aplicou um humilhante 4 a 1 no Flamengo e impôs um choque de realidade em seu maior rival. Título carioca muito merecido.
O primeiro tempo do jogo trouxe a apoteose do estilo de jogo do técnico Fernando Diniz. O Fluminense amassou o Flamengo. Posse de bola, intensidade e dois gols para já igualar o placar agregado. O primeiro veio no talento de Marcelo, lateral que retorna ao Brasil e em dois jogos já mostra que tem muito a acrescentar. E o segundo veio dos pés do artilheiro Germán Cano após bela assistência de Ganso: um verdadeiro retrato do que é esse Fluminense.
Nem a desvantagem no placar fez o Flamengo ser competitivo no segundo tempo. O Tricolor continuou dominante e definiu o confronto com tranquilidade com mais um gol de Cano, desta vez ao aproveitar rebote de pênalti que o próprio desperdiçou, e depois com Alexsander em belo chute.
Mais do que o título ao Fluminense, o primeiro de Fernando Diniz como treinador, o jogo apresenta possíveis cenários para o restante da temporada. O Tricolor mostra todo o seu potencial e prova que é um time difícil de ser batido. Já no Flamengo, se ainda existia alguma dúvida, ficou claro que o clube, prestem atenção que digo o clube e não alguém em específico, precisa corrigir a rota que decidiu seguir. A diretoria errou, o técnico não faz um bom trabalho e o elenco também já apresenta deficiências.
Na última temporada, o Fluminense fez um bom trabalho, mas ficou devendo títulos de maior expressão. A diretoria fez escolhas pontuais e deixou o time mais forte: trouxe Marcelo para a lateral-esquerda, acertou em Alexsander para completar o meio-campo e contratou Keno para o ataque. Todos foram decisivos na grande final do Carioca. O futebol é dinâmico e tudo pode mudar, mas hoje o horizonte sorri para o Fluminense.
Do outro lado, um Flamengo apático. Vários fatores dentro de campo revelam que o time é mal treinado por Vitor Pereira, mas o mais escandaloso na derrota para o Fluminense foi a saída de bola. É o momento que o time inicia seu jogo, mas vimos que não havia qualquer organização. O Rubro-Negro abusou de chutões e limitou-se a jogar a bola para fora ou devolvê-la ao adversário. Um futebol muito pobre.
Pelas conquistas recentes e qualidade do elenco é muito fácil no Flamengo atribuir todo o fracasso ao técnico Vitor Pereira. Entendo que o trabalho é ruim e concordo que a demissão é inevitável. Não dá mais. Mas repito que não é o único culpado. A diretoria coleciona péssimas escolhas do final do ano passado para cá. É um setor que também precisa de cobrança e reformulação.
E o elenco do Flamengo também dá sinais de desgaste. Vários jogadores estão em má fase e cometendo erros infantis em campo. Os laterais direito são limitados, os zagueiros não vivem bons momentos, Gerson ainda não mostrou a que veio nesse retorno. Éverton Ribeiro e Gabigol não estão bem. Ou seja, há mais problemas do que somente o treinador. Mas ainda dá tempo de resolver.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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