Como diria o velho guerreiro Chacrinha, ao jogar para seu auditório pedaços de bacalhau salgado seco, “quem quer bacalhau?”. Foi assim que Portugal respirou aliviado, com o aumento da cota de bacalhau para 2022. Neste mês, 27 ministros de mar dos Estados-membros da comunidade europeia, na reunião anual da Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO), entraram em acordo, e Portugal acabou não tendo restrições na importação do bacalhau. Talvez para nós brasileiros seja até difícil entender qual a importância disso, tendo em vista que o bacalhau no Brasil é consumido basicamente na época da Semana Santa (no nosso caso capixaba, muito consumido nesta época ) e do Natal. Aqui é um pouco diferente.
O impacto do consumo do bacalhau na dieta diária dos portugueses e na economia local é importantíssimo. O bacalhau faz parte da história portuguesa, pelo menos desde o século XIV, mas foi só em 1946, um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, que se retornaram os registros e as exportações.
Portugal importa 100% do bacalhau do Atlântico Norte. É aquele típico caso de que não se pesca nenhum peixe no mar de casa. Tudo vem de fora. Segundo o diretor do Conselho Norueguês dos Produtos do Mar para Portugal, Jhonny Thomassen, a agência Lusa, 70% do bacalhau consumido em Portugal é da Noruega. São 70 mil toneladas por ano. “O bacalhau tem um estatuto único na gastronomia portuguesa e, por isso, a sua evolução no mercado tem sido estável”. Estamos falando de sete quilos per capita.
O bacalhau ocupa um espaço na culinária portuguesa no seu dia a dia. Consumido em maior escala o pescado salgado. Ele pode ser encontrado em qualquer comércio ou supermercado e também em boa parte dos restaurantes. Dos mais simples até aos mais sofisticados. Embora o bacalhau fresco ou dessalgado oriundo da Islândia seja considerado de melhor tamanho e qualidade.
É curioso que muitos restaurantes que não representam a culinária portuguesa encontram uma forma de introduzir o pescado no seu menu. Neste período de Natal, estima-se que foram consumidos entre quatro a cinco toneladas de bacalhau da Noruega em Portugal, apesar de algumas restrições em função da pandemia e de aspectos logísticos.
O bacalhau mantém a sua importância secular na economia nacional, e os portugueses levaram para o Brasil essa cultura do consumo do bacalhau. Não é à toa que o Brasil é, depois de Portugal, um dos maiores mercados consumidores do produto.