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A farra das bets

As bets encontraram no mercado brasileiro um terreno fértil para avançarem no país. Seja pela pelo crescimento descontrolado do investimento em marketing, seja pela falta de experiência do consumidor

Publicado em 04 de Julho de 2025 às 02:00

Públicado em 

04 jul 2025 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

O investimento das bets no mercado brasileiro cresceu absurdamente em 2025. Isso pode ser facilmente observado seja pelas cifras atingidas com apostas de brasileiros nesse tipo de jogos, como no investimento em marketing. No primeiro caso, segundo dados do Banco Central, mais de R$ 20 bilhões são investidos todos os meses, no volume de apostas.
No segundo caso, as bets usam o marketing bem agressivo para atrair apostadores. O fato que chama bastante atenção é que a média de investimento no mercado brasileiro está bem acima da média do mercado mundial. Isso se deve, em grande parte, a uma regulamentação frágil no país e à atuação junto às classes sociais mais baixas, menos esclarecidas sobre os riscos desses jogos e também pela imaturidade do público em apostar e lidar com os riscos.
Para se ter uma ideia, as bets foram o segmento com maior investimento em publicidade no mercado brasileiro em 2024, segundo dados da Kantar Ibope Media, apontando para um aumento de 47% nos investimentos de compra de mídia. Segundo o instituto, o segmento de jogos e apostas ficou à frente de todos os demais segmentos econômicos no quesito crescimento nos investimentos de mídia. Isso significa um investimento de R$ 38 bilhões em compra de mídia no ano passado.
Já o investimento nos campeonatos e clubes de futebol, as cifras são ainda maiores. Dos 20 clubes brasileiros da primeira divisão de futebol, somente dois não têm o patrocínio Master ocupado por uma. Também fazem grandes investimentos com influenciadores. Que por sinal, foi objeto da CPI no Senado e teve seu relatório final rejeitado.
Acredita-se que por terem um custo relativamente baixo de operação, as bets brasileiras invistam em marketing, entre 45 a 75% de suas receitas. Segundo levantamento do Itaú Unibanco, “o gasto em marketing no Reino Unido tem se situado em torno de 20%. Nos Estados Unidos, onde o mercado de apostas também está em expansão, as empresas gastam cerca de 30% de suas receitas”.
Embora a lei brasileira tenha dado um passo importante para a regulamentação do mercado de apostas, ainda existe muita brecha para as empresas estrangeiras atuarem no Brasil e a fiscalização da utilização de quem utiliza com frequência essas apostas.
Apostas esportivas, bets
Apostas esportivas, bets Crédito: iStockphoto
Mesmo com a proibição de crédito ou bônus de entradas para os jogadores e a identificação por CPF, ainda é pouco. Do ponto de vista publicitário, o Conar- Conselho de Autorregulamentação Publicitária, estabeleceu mecanismos de autorregulamentação, visando proteger em especial as crianças e adolescentes dos tipos de conteúdos publicitários, dirigidos a esses públicos.
Seja como for, as bets encontraram no mercado brasileiro um terreno fértil para avançarem no país. Seja pela pelo crescimento descontrolado do investimento em marketing, seja pela falta de experiência do consumidor. E o governo não pode ter maior preocupação em arrecadar com o crescimento desse setor.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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