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Projetos

Se eu fosse prefeito de Vitória voltaria a pensar no futuro da cidade

Está na hora de pensar tudo de novo, junto com todo mundo. Tão importante quanto planejar é envolver e comprometer

Públicado em 

10 out 2020 às 05:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

Vista aérea do bairro Enseada do Suá em Vitória
Vitória precisa de um novo planejamento organizado Crédito: Luciney Araújo
Como não sou candidato a nada, posso falar o que eu imagino que faria a partir de 1/1/2021 sentado na cadeira de prefeito. Depois de montar a equipe e verificar se o básico está em ordem, como recolhimento de lixo e tapar os buracos da rua, se o início do ano escolar está sob controle, assim como o carnaval, depois de organizar o funcionamento da máquina e verificar a situação das finanças, eu iria tratar de planejar o futuro da cidade.
O último planejamento organizado foi o Vitória do Futuro, em 1996. Está na hora de pensar tudo de novo, junto com todo mundo. Tão importante quanto planejar é envolver e comprometer. Chamaria as grandes empresas, as federações, as universidades, as associações de bairros, a Câmara de vereadores, as associações de classe, o governo estadual, os órgãos federais no Estado, a imprensa, as outras cidades da Região Metropolitana e formadores de opinião em geral para um grande mutirão de pensar a cidade, apoiados por alguma instituição de renome em planejamento. Iria levantar os números de tudo para preparar os indicadores a serem acompanhados em uma sala de situação permanente.
O primeiro ponto seria o desenvolvimento econômico para gerar negócios, empregos e renda. Iria atrás de recuperar a oferta da Infraero de um local para um grande Centro de Convenções. A realização de grandes eventos em um local do lado do aeroporto a uma hora e pouco de Rio, São Paulo e BH é imbatível para atração do turismo de negócios e profissionais que movimenta a rede hoteleira e outros serviços, e transborda para o turismo em geral em todo o Estado.
Não tem como pensar em futuro sem cuidar da economia do conhecimento e da inovação com uma rede de startups e empresas de tecnologia integrada com as universidades. No mundo da tecnologia nacional, Vitória é cultuada por ter feito o primeiro fundo para C&T, o Facitec. Temos uma cidade bonita e capaz de atrair novos moradores para esse mundo.
Florianópolis, que tem receita em tecnologia maior que a do turismo, consegue isso e nós podemos também. Esse é o negócio mais promissor em todo o mundo para gerar empregos de alto nível e também resolver problemas: não é possível que a tecnologia não esteja disponível para automatizar com inteligência os semáforos da cidade e integrar as câmeras de segurança privadas, que existem aos montes, com o sistema de segurança oficial - a cidade tem que ser inteligente.
Não merece ser chamada de inteligente se não colocar acesso à internet em todas as escolas e comunidades, com professores capacitados, bem pagos e dedicados a apenas uma escola - de tempo integral, claro.
Temos que usar as novas ferramentas de investimento como concessões, operações urbanas consorciadas e PPPs (a primeira lei municipal de PPPs no Brasil foi a de Vitória, em 2004, que encaminhei para a Câmara quando estava na CDV).
Voltaria com um novo Projeto Terra visando a urbanização, a regularização fundiária, a preservação ambiental e o desenvolvimento comunitário articulados de áreas da cidade em defasagem de desenvolvimento. Planos inclinados ou teleféricos para os morros da cidade, integrados com sistemas de transporte fariam justiça social com mobilidade para muitas dessas comunidades.
A cidade precisa de integração. Quem chega na Ponte da Passagem vindo da Fernando Ferrari vira à esquerda na Reta da Penha e entra no futuro do FindesLab e da sede da Petrobras. Quem vira à direita cai na Vitória do passado, embora belíssima subindo a Fonte Grande e vendo o manguezal. As duas cidades precisam se encontrar no Centro que pede um projeto com mobilidade, segurança, ordenamento e beleza, incluindo o porto, uniformidade de fachadas e fios enterrados nas principais vias - e cultura, muita.
Tem muito mais coisas para fazer, mas fica faltando conseguir o dinheiro para isso tudo. Tendo um bom projeto e capacidade de financiamento é ir atrás da Caixa, do BNDES, do BID, do Banco Mundial, do Banco dos Brics e do apoio das grandes empresas.
Pensando bem, acho que vou precisar de uns quatro mandatos para fazer isso tudo.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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