Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Comportamento

'Nudges': uma forma de acertar na mosca em políticas públicas

Conceito teorizado por Richard H. Thaler, um dos pais da Economia Comportamental, tem como objetivo alterar o comportamento das pessoas de um modo previsível, mas sem proibir quaisquer opções

Publicado em 10 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

10 abr 2021 às 02:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

Pessoa escolhendo direção
“Nudges” podem ser traduzidos como “empurrõezinhos” que estimulam para que tomemos as decisões desejadas naquele momento Crédito: rawpixel.com/Freepik
No aeroporto de Amsterdã, na Holanda, as autoridades colocaram a imagem de uma mosca preta em cada mictório para os homens não errarem a pontaria. A mosca falsa reduziu em 80% a quantidade de urina que cai fora. Em Copenhagen, na Dinamarca, é estimado que 1 em cada 3 indivíduos vão, ocasionalmente, produzir lixo nas ruas. Uma equipe de pesquisa colocou uma série de pegadas até a lata de lixo mais próxima e distribuiu balinhas para os pedestres. O resultado mostrou uma redução de 46% de papéis de bala espalhadas pelas ruas, ao fazer com que os pedestres fossem até a lixeira descartar corretamente.
Um “nudge”, conceito teorizado por Richard H. Thaler, um dos pais da Economia Comportamental, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2017, tem como objetivo alterar o comportamento das pessoas de um modo previsível, mas sem proibir quaisquer opções e nem alterar significativamente seus incentivos econômicos. “Nudges” podem ser traduzidos como “empurrõezinhos” que estimulam para que tomemos as decisões desejadas naquele momento.
Nos Estados Unidos, para melhorar a alimentação das crianças nas escolas, se identificou que o consumo de maçãs aumentou mais de 60% quando eram servidas fatiadas. A maçã fatiada é muito mais fácil de comer. Tão fácil quanto comer salgadinhos. Se uma escola quer incentivar uma alimentação saudável na cantina, outra ideia é simplesmente colocar as opções saudáveis mais à frente.
Existem “nudges” que direcionam políticas mais amplas. Alguns países tornaram padrão a doação de órgãos. Se não quiser ser doadora, a pessoa deve manifestar esse desejo. Com apenas essa alteração, sem tirar a opção de escolha, houve aumento significativo na doação de órgãos. Na Inglaterra, mensagens motivacionais semanais, “nudges”, para os alunos reduziram em 7% o absenteísmo e em 33% o abandono escolar.
Há uma nova profissão - arquiteto de escolhas - responsável por organizar o contexto sob os quais as pessoas tomam decisões. Um argumento utilizado contra a arquitetura de escolhas é que não competiria ao Estado ser "paternalista" e induzir determinados comportamentos nos cidadãos.
Na defesa, os defensores do chamado "Paternalismo Libertário" argumentam que toda decisão humana é condicionada pela forma como ela se apresenta; além disso, os "nudges" já são usados para promover vendas de produtos. Ademais, políticas públicas baseadas em "insights comportamentais" tendem a ser mais eficientes, mais baratas, e menos invasivas do que as tradicionais regulações baseadas em obrigações e proibições, o que seria uma forma menos intrusiva de ação estatal, desde que feitas com a devida transparência para o cidadão.
As fortes imagens nos maços de cigarros podem ser “nudges” como incentivo à saúde sem envolver uma proibição. Como fazer os brasileiros criarem uma mania pela educação, esse que é o grande vetor do desenvolvimento? “Nudges” para incentivar a família a participar da vida escolar, mensagens de incentivo para evitar a evasão ou uma escola bem cuidada na aparência já sinalizaria que aquilo é importante.
Pensando na pandemia, como seriam os "nudges'' para incentivar comportamentos corretos? Mensagens interessantes em outdoors podem fazer efeito complementar às proibições. Exemplos já existem: “ Vai sair com a namorada? Lembra que na UTI a cama é de solteiro” ou “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Outra maneira seria distribuir máscaras com emblemas de times de futebol ou com imagens de ídolos da música.
Um dos princípios centrais do "nudge" é óbvio, mas precisa ser relembrado sempre: para incentivar um determinado comportamento, torne-o fácil.
A economia comportamental, com "nudges" e outras abordagens, têm mostrado resultados tão importantes em políticas públicas e no conhecimento de como as pessoas tomam decisões também no setor privado, que já geraram Prêmios Nobel de Economia.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Prédio do antigo IAPI, vizinho ao Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória. Ele vai ser restaurado para moradia popular.
Projeto para antigo IAPI virar moradia popular é retomado em Vitória
Imagem de destaque
Cooperativismo e o próximo ciclo de desenvolvimento do Espírito Santo
Imagem de destaque
ES tem 16 processos seletivos e concursos abertos com 1.200 vagas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados