A maior parte dos capixabas ainda se lembra do desabamento da área de lazer de um edifício de luxo situado na Enseada do Suá, em Vitória (ES). A tragédia aconteceu há quase cinco anos, no dia 19 de julho de 2016, mas ainda está fresca na memória de muitas pessoas. Na ocasião, o porteiro Dejair das Neves faleceu e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Além disso, dezenas de famílias foram obrigadas a deixar, às pressas, o edifício parcialmente colapsado.
Em abril deste ano, a piscina de um edifício desabou sobre a garagem da própria edificação, em Vila Velha (ES). Por sorte, ninguém se feriu, mas o prédio foi evacuado e parte da orla do bairro foi interditada pela Defesa Civil. Representantes do CREA apontaram, como uma das possibilidades para o desastre, a existência de problemas estruturais no edifício.
Na semana passada, grande parte de um prédio situado na orla de Miami, na Flórida, também veio abaixo. Assim como nos casos registrados no Espírito Santo, a construção americana também colapsou parcialmente, deixando pelo menos 18 mortos e 145 desaparecidos (até o momento em que escrevi este artigo, na última quinta-feira). Mais de 200 profissionais permanecem trabalhando na busca por sobreviventes, numa operação que tem menos chance de ser bem-sucedida a cada hora que passa.
Casos como os aqui apontados provocam grande comoção e deixam um saldo considerável de mortos, feridos, desabrigados e intermináveis batalhas judiciais. Mas por que, em pleno século XXI, com a abundante tecnologia existente, desastres assim continuam a ocorrer? Responder a essa pergunta tem sido a missão de algumas equipes que trabalham para compreender e evitar novas catástrofes.
Em determinadas situações, quando edificações são atingidas por fatores externos, como furacões, ventos intensos, explosões, incêndios, nevascas imprevisíveis ou impactos a explicação para o colapso fica mais evidente. Por outro lado, quando tais fatores não ocorrem as hipóteses mais evidentes acabam girando em torno da falha humana, seja por erros de projetos, de execução ou mesmo em razão da utilização de materiais inadequados.
Dois aspectos merecem, portanto, ser destacados. Em primeiro lugar é fundamental que as construtoras e os órgãos de fiscalização redobrem a atenção (e a manutenção) e atuem com a responsabilidade e o compromisso que a vida humana merece. É inadmissível que nos dias de hoje ainda vivenciemos colapsos inexplicáveis de construções que deveriam se manter sólidas por décadas.
O segundo ponto que merece atenção é o importante trabalho realizado pelos profissionais que atuam em áreas colapsadas. A missão dos órgãos responsáveis pela defesa civil é das mais árduas e necessárias da nossa segurança pública. Cabem a esses heróis manter a chama da esperança em cenários de guerra, completamente devastados por desastres naturais, explosões ou colapsos de estruturas. São os primeiros profissionais a chegarem e, normalmente, os últimos a saírem e merecem, pelo relevante trabalho que fazem, todas as nossas homenagens e reconhecimento.