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Brasil

O futuro nos impõe coragem, alegria, esperança e resistência

Ainda que possa parecer idealismo utópico. "Apesar de você, amanhã há de ser um novo dia"

Publicado em 09 de Novembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 nov 2021 às 02:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

Ainda que o desalento pareça se espalhar pelas ruas da cidade, invadindo as casas e os corações. Ainda que o olhar cabisbaixo e desesperançado de tantos pareça nos indicar que não há mais sonhos a sonhar.
Ainda que a fome se espalhe de forma devastadora a comprometer a vida e o futuro de 19 milhões de pessoas no país. Ainda que muitas instituições essenciais para a manutenção das condições de retidão, de integridade, de democracia, da justiça e da fé pareçam comandadas por homens sem qualquer espírito humanitário, comprometimento ético e nobreza de sentimentos e de ações.
Ainda que o Centrão, como sempre fez, continue a vender as riquezas da nação e a dignidade do povo a favor de seus próprios interesses. Ainda que nos sintamos humilhados e envergonhados internacionalmente, sendo considerados párias, seja por nossas escolhas seja por nossas omissões.
Ainda que o medo se espalhe em uma sociedade que não foi capaz de tratar a ditadura com os instrumentos de justiça que possuía e agora precisa voltar a conviver com ela, depois de ter experimentado, breve e levemente, sentimentos de liberdade e crenças de que a democracia nos permitiria sonhar com justiça e emancipação.
Ainda que a discriminação por condição de raça, classe e gênero se mantenha fortemente fincada em nossa estrutura social e tenha voltado a se manifestar de forma explícita pela tolerância de muitos e pelos discursos de ódio e de incentivo das autoridades que deveriam combatê-la.
Ainda que os mais de 600 mil mortos e milhões de sequelados pela Covid estejam aí a nos incomodar com a certeza de que a perversidade humana é praticada com a conivência e a cumplicidade, seja ela objetiva ou em decorrência do silêncio autorizativo. Ainda que a corrupção grasse em todos os campos e os corruptos e corruptores continuem a transitar livres e serenamente pelos cargos que negociam ao custo de muitas vidas e da dignidade pessoal e institucional.
Ainda que milhares venham tirando suas vidas em razão da depressão provocada, ou desencadeada, pelas condições adversas nas quais se veem envolvidos em decorrência da dor de existir, que se alastra com a mesma força que o vírus que nos impôs essa pandemia. Ainda que a desesperança pareça não ter fim, que o desalento e a impotência nos pareçam condições naturais às quais devamos aceitar como se desígnios de Deus fossem e que nos serviriam como passagem para o alcance do paraíso futuro a ser gozado na eternidade.
Ainda que a ideologia do mascaramento da verdade, seja ela de matriz religiosa ou formulada pelos que desejam permanecer como donos do poder, pareça nos impor uma única opção de vida qual seja: aceitar o inaceitável.
Amanhã há de ser um novo dia!
Thiago de Mello, poeta amazonense, em seu belo poema publicado em 1965, no auge da ditadura, nos convida a cantar em meio à escuridão na qual estamos mergulhados:
“Faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro, a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar a cor do mundo mudar .
Já é madrugada, vem o sol, quero alegria, que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão, trabalhar pela alegria, amanhã é um novo dia.”
“Faz escuro mas eu canto”, título enunciativo da 34ª Bienal de São Paulo, é um convite à esperança e à alegria. Thiago de Mello nos faz um convite à resistência, à coragem e à luta. Ainda que possa parecer idealismo utópico, o futuro nos impõe coragem, alegria, esperança e resistência.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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