Enquanto milhões de brasileiros passam fome, o Brasil, que sobeja e desperdiça alimentos e que concentra riquezas e poder se orgulha de seus 42 novos bilionários, que passaram a constar da lista da revista Forbes em 2021.
São 315 bilionários brasileiros que detêm, em 2021, um patrimônio de R$ 1,9 trilhão. Ao mesmo tempo, vemos aumentar, de forma exponencial, o número de desempregados e pessoas que passam fome no país e no mundo.
No Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, a extrema pobreza, situação na qual não se tem absolutamente nada o que comer, atinge cerca de 20 milhões de pessoas. A segurança alimentar não parece se constituir preocupação da classe política brasileira. Os programas governamentais dirigidos ao enfrentamento da fome e da pobreza são intencionalmente tímidos e ineficazes.
A pandemia de Covid-19, que colocou em risco alimentar quase 50 milhões de brasileiros, serviu de substrato para o enriquecimento de poucos, originados das mesmas camadas da sociedade.
Enquanto a desigualdade se amplia, vemos o fosso se expandindo de forma a distanciar cada vez mais pobres e ricos, o país se afundar em uma crise política sem precedentes, espaço mais do que perfeito para que o parlamento decida, sem qualquer resistência, projetos ultraliberais de interesse de poucos.
Decisões, em sua quase totalidade, desfavoráveis à grande maioria das pessoas que hoje assistem, entorpecidas, sem compreender, aos jogos de poder que se manifestam como espetáculo teatral encenado pela mesma casta de homens brancos e ricos que continuam a se locupletar, apropriando-se, de forma acintosa, vergonhosa e juridicamente sustentada, de instituições e riquezas nacionais, como se patrimônio privado fosse e não público.
Enquanto alguns parecem, seja por ingenuidade, seja por interesses, acreditar no gesto “conciliador” do assumido golpista Temer, buscando pacificar um Brasil em chamas provocadas pelo atual presidente, produzindo uma pueril, bucólica e indefensável carta aos brasileiros, os verdadeiros interessados na destruição do pais se reúnem em torno da mesa para se divertirem, imitando seu atual “bobo da corte”, o boneco peralta chamado de presidente, enquanto saboreiam as iguarias típicas das mesas da Faria Lima, regadas a vinhos especiais escolhidos por sommeliers forjados em escolas francesas.
Ricos, brancos, leves, de elegância aparentemente sofisticada, com seus ternos impecáveis, felizes, machos, condescendentes com a miséria e dispostos a dar sua “contribuição” nesse momento de crise, os endinheirados brasileiros se reúnem, mais uma vez, em torno da mesa, para discutir política e definir os rumos da nação. A busca da terceira via está a nos demonstrar por quem dobram os sinos, as políticas e os políticos.
Aliás, sempre que o Brasil parece se desviar de seus projetos concentradores de renda ou quando percebem que esticaram, em demasia, a corda, é preciso aliviar um pouco para que alguns possam voltar a respirar e sobreviver, ainda que em condição de miserabilidade extrema.
Essa grande massa de despossuídos, gerada em projetos de concentração de renda e poder, mostra-se imprescindível ao alcance dos propósitos de manutenção do status quo no qual o “desequilíbrio” social, econômico e cultural torna-se elemento de sustentabilidade do modelo ultraliberal atrasado, inconsequente e perverso.
Os super ricos brasileiros, em sua quase totalidade, mantêm suas residências longe da violência e dos riscos de segurança existentes no país, frutos do desemprego, da fome e das violações de Direitos Humanos por eles mesmo gestadas.