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Economia

O Brasil tem crescido mais que outros países?

Para começar, crescer menos que economias avançadas significa o distanciamento delas, ou seja, não estamos nos desenvolvendo

Publicado em 23 de Novembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 nov 2021 às 02:00
Cássio Moro

Colunista

Cássio Moro

Semana passada, em Dubai, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil cresce acima da média mundial, atribuindo tal conquista ao desempenho do presidente Jair Bolsonaro. Em suas palavras, o “Brasil foi uma das economias que menos caíram, voltaram mais rápido, criaram mais empregos, e estamos crescendo, também, acima da média mundial”.
Será mesmo? Vamos analisar separadamente cada uma das assertivas de Guedes: crescimento, queda durante a pandemia e geração de emprego.
O índice de crescimento mais consistente é o Produto Interno Bruto. Com as previsões se confirmando, o Brasil terá um crescimento do PIB, em 2021, na ordem de 5,04%, segundo o Relatório de Mercado Focus (Exame, 11.10.2021). O crescimento é bom, não se nega, porém ainda abaixo da expectativa de crescimento mundial, que se encontra em 5,6%.
Menor também que as economias avançadas (5,4%) e economias emergentes e em desenvolvimento (6%). Pior? o resultado é aquém dos previstos para a própria América Latina e Caribe, com índice positivo de 5,2% (que é até superior, se excluir o Brasil da aferição). O país supera, entre os grandes grupos, tão somente a África Subsaariana, com previsão de crescimento de irrisórios 2,8%.
Para 2022, as previsões são ainda piores para o Brasil. Enquanto se prevê um crescimento mundial de 4,9%, 4,5% para as economias desenvolvidas, 5,1% para economias em desenvolvimento e emergentes e 3% para América Latina e Caribe, ao Brasil a estimativa é de parco 1,5%, bem menor, inclusive, que a África Subsaariana, cuja estimativa é de crescimento na ordem de 3,8%.
O pior é que isso não é apenas reflexo da pandemia. Há anos o país já vem de um crescimento inferior ao da média global ou das economias avançadas. Em 2018, enquanto o mundo crescia 3,2% e o países desenvolvidos 2,3%, o Brasil aumentava 1,8% seu PIB. Em 2019, o ápice da desindustrialização mundial, enquanto o mundo expandia 2,5% e economias avançadas apenas 1,6%, o que poderia representar uma janela de oportunidade ao Brasil, este não superou 1,4% de crescimento. Quem se aproveitou foram os tigres asiáticos que, compondo o grupo de países do leste asiático e Pacífico, cresceram 5,8%.
Quanto à queda decorrente da pandemia, o país não teve o pior resultado, mas também não tem motivos para comemorar, pois caímos mais que a média global. Enquanto o mundo reduziu 3,5% em 2020, o país desabou 4,1%. A situação brasileira demonstrou-se melhor que as economias avançadas (-4,7%) e América Latina e Caribe (-6,5%).
Por fim, a taxa de desemprego: o crescimento vem se acentuando desde 2015, chegou a março/2020 (pré-pandêmico) com uma taxa de 12,2%. Atingiu 14,6% em março/2021, com 14,8 milhões de desempregados. Houve recuo, caindo para 13,2% no trimestre encerrado em agosto/2021 e a expectativa média para este ano é de 13,8%, estando, ainda, na 4ª posição do ranking mundial e 1º entre o G20 (G1, 22.11.2021).
Todavia, esse dado não pode ser interpretado isoladamente, sem considerar a taxa de desalento, que consiste no número de pessoas que simplesmente não possui interesse em procurar ocupação. E isso ocorre pelas mais diversas causas, da desesperança e falta de perspectivas à própria falta de condições financeiras para custear a busca por empregos, como deslocamentos, roupas para entrevista, confecção de currículos etc.
E, nesse campo, pode-se observar que desde 2015 o número de desalentados vem subindo gradativamente, até disparar na pandemia, alcançando cerca de 5,9 milhões de brasileiros. E o que isso importa? Desalentados não são considerados desocupados (desempregados que procuram emprego) e, portanto, não fazem parte daqueles quase 15 milhões da taxa de desocupação.
Em outras palavras, o índice de desalento ajuda a maquiar a taxa de desempregados. Não se trata de quase 15 milhões, mas estamos falando de mais de 20 milhões de brasileiros com idade para trabalhar sem qualquer ocupação.
Mas se está crescendo está bom, não? Definitivamente não. Para começar, crescer menos que economias avançadas significa o distanciamento destas, ou seja, não estamos nos desenvolvendo. Ao contrário, estamos empobrecendo. Portanto, se o Brasil cresce até menos que a própria América Latina e Caribe, nem sequer se justifica aquela crendice afásica de o país se tornar uma Venezuela. Segundo os números para o futuro, poderemos ter taxas inferiores a países como Costa do Marfim ou Quênia.

Cássio Moro

E juiz do Trabalho, doutorando em economia, mestre em Processo, especialista em Direito do Trabalho e economista. Professor de graduacao e pos-graduacao da FDV. Neste espaco, busca fazer uma analise moderna, critica e atual do mercado e do Direito do Trabalho

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