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Segurança pública

Vitória precisa recuperar o protagonismo no Espírito Santo

Enquanto o Espírito Santo celebra, com razão, uma tão esperada redução na taxa de homicídios, Vitória foi o único município da Região Metropolitana que registrou aumento no número de homicídios em 2023

Publicado em 05 de Janeiro de 2024 às 02:00

Públicado em 

05 jan 2024 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri Caio Neri
Eleita com o jingle de “paz e igualdade”, na onda antipetista, a atual gestão municipal de Vitória chega ao último ano sem cumprir a principal promessa: tornar a Capital capixaba a cidade da paz e da igualdade.
Por ser delegado de Polícia Civil, durante a campanha eleitoral, o atual prefeito disse, expressamente, que Vitória teria paz porque a segurança pública seria tratada no gabinete do prefeito. Mas os dados e a sensação nas ruas mostram que a promessa está longe de ser cumprida.
Enquanto o  Espírito Santo celebra, com razão, uma tão esperada redução na taxa de homicídios, a capital Vitória foi o único município da região metropolitana que registrou aumento no número de homicídios em 2023. Enquanto em 2022 Vitória teve 70 homicídios, no último ano, esse número saltou para 85, um aumento de 21,4%.
Daí já se pode inferir que a criminalidade e a insegurança não foram resolvidas no gabinete do prefeito. Mesmo porque o problema da insegurança e da violência urbanas é muito mais complexo que isso. E a própria segurança pública é uma atribuição, em primeiro plano, da administração estadual, com a participação complementar das prefeituras.
Nem há que se falar que o aumento do número de homicídios em Vitória decorra "apenas” do tráfico de drogas, já que este não é um problema exclusivo e restrito à Capital. Noutras palavras, se Cariacica, Vila Velha e Serra também sofrem com o tráfico de entorpecentes, por que apenas Vitória registrou acréscimo de homicídios?
Talvez porque a paz também dependa, em grande parte, de igualdade, isto é, justiça social e oportunidades igualitárias.
Nos últimos anos, as grandes obras estruturantes em Vitória, a bem da verdade, decorreram de investimentos do governo estadual. Por certo, a população merece espaços para lazer. Porém, Vitória precisa mais que novas pracinhas. Há tempos, dois pronto-atendimentos têm se mostrado insuficientes para a demanda de Vitória. Não seria a hora de a Capital construir uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA)?
Tempo instável e com chuva na Grande Vitória
Vitória Crédito: Fernando Madeira
Se não bastasse, num feito inédito, a economia do município de Vitória vem perdendo protagonismo. A Serra superou a Capital e já tem o maior PIB do Espírito Santo.
Todavia, mais importante que o tamanho do PIB é a qualidade de vida e a percepção que os cidadãos têm de sua própria cidade, o que não parece militar a favor da Capital, já que caiu muito a qualidade dos serviços ofertados à população.
Infelizmente, Vitória está longe de se tornar uma Suíça (ou Genebra). Antes de mais nada, Vitória precisa recuperar o protagonismo no Espírito Santo e a confiança dos capixabas.

Caio Neri

Caio Neri Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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