Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Covid-19

'Sommelier de vacina': imunizante não é vinho, é para salvar vidas

A vacinação é uma estratégia de saúde coletiva, o meio mais factível e razoável de atingirmos a tão comentada imunidade coletiva

Publicado em 09 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 jul 2021 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Doses da vacina Astrazeneca/Fiocruz
Vacina Astrazeneca/Fiocruz é uma das mais rejeitadas pelos "sommeliers de vacina" Crédito: Miva Filho/SES-PE
Com a pandemia, além de novos hábitos, foram se incorporando ao dia a dia novas terminologias, como a expressão “sommelier de vacina”. Em restaurantes e afins, o sommelier é o profissional responsável por cuidar da carta de bebidas alcoólicas, auxiliando os clientes na escolha de qual bebida tomar. Ocorre que, com o avançar da imunização contra a Covid-19 no Brasil, muitas pessoas se julgam no direito de escolher a vacina de qual fabricante tomarão, principalmente o público mais jovem.
Os contratempos gerados pelos "sommeliers de vacina" são tão grandes que alguns municípios já estão adotando medidas para evitar que as pessoas atrapalhem o ritmo da imunização na ânsia de escolher o laboratório responsável pela produção da vacina. Os imunizantes Coronavac (Butantan) e da AstraZeneca (Fiocruz) são os mais rejeitados pelos "sommeliers de vacina" que, em geral, só querem a vacina da Pfizer ou da Janssen (porque é dose única).
Em São Bernardo do Campo/SP, a prefeitura publicou um decreto que envia para o final da fila de vacinação quem se recusar a receber o imunizante disponível na data agendada. Em Vila Velha, quem desiste da vacinação tem que esperar alguns dias antes que o sistema permita um novo agendamento. Com razão os municípios!
Se, por um lado, é compreensível e legítimo que as pessoas saibam qual imunizante estão tomando, a taxa de eficácia e quais são as principais reações à vacina, por outro lado, muitas vezes, interpreta-se mal a eficácia das vacinas, confundindo com os conceitos paralelos de efetividade e eficiência. Em resumo, os índices de eficácia dos imunizantes são estabelecidos com base num modelo, já que o composto é analisado em um ambiente controlado.
A efetividade, lado outro, insere-se mais numa perspectiva realista, analisando a vacinação em um grupo plural. Noutras palavras, a eficácia seria um “dever-ser” enquanto a efetividade refere-se ao “ser”. Já a eficiência dos imunizantes é mensurada em custo-benefício.
Ao que tudo indica, a predileção das pessoas por um ou outro imunizante não traduz preocupação com a saúde, mas motivos outros de toda a sorte e que nada contribuem para o combate à pandemia. Basta lembrar que, antes da pandemia da Covid-19, ninguém chegava ao posto de vacinação perguntando qual laboratório produziu o imunizante. E, mesmo sem saber o fabricante das vacinas que tomamos antes da pandemia, ninguém morreu ou teve sequelas em decorrência da vacinação, muito menos se transformou em jacaré ou numa espécie de “imã humano”. O mesmo não se pode dizer, todavia, daqueles que não foram vacinados contra a Poliomielite (paralisia infantil), por exemplo.
A vacinação é uma estratégia de saúde coletiva, o meio mais factível e razoável de atingirmos a tão comentada imunidade coletiva. Por isso, mais que vacinar pessoas individualmente com imunizantes do laboratório A ou B, é preciso que o maior número de pessoas seja vacinado em datas próximas, criando um verdadeiro escudo protetor contra o vírus. Do contrário, com lacunas na imunização, pode haver espaço para o surgimento de novas variantes do coronavírus.
Importante esclarecer que todos os imunizantes utilizados na população brasileira foram devidamente submetidos a uma criteriosa e prévia análise técnica por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que aferiu, dentre outros, a eficácia e segurança das vacinas. A Anvisa é um órgão de prestígio internacional, por isso, podemos confiar nas vacinas.
As vacinas salvam vidas! Não estamos em condições de escolher vacina, até porque imunizante não é vinho.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Justiça
Júri decide que morte de bebê no ES com golpe de tesoura não foi intencional
Pescador de Conceição da Barra desaparece de barco em alto-mar
Nathan Saliba prestou homenagens ao meia Koné, que sofreu grave lesão na partida entre Canadá e Catar
Com dois a mais, Canadá goleia Catar e conquista primeira vitória em Copas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados