Nesta sexta-feira, 25 de dezembro, em grande parte do mundo celebra-se o Natal, à exceção dos países eslavos e daqueles em que predomina a Ortodoxia, onde o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro, por exemplo. A palavra portuguesa “Natal” decorre do termo latino nātālis, que, por sua vez, deriva-se do verbo nāscor, cujo significado literal é “nascer”, simbolizando o nascimento de Jesus Cristo.
A despeito de a data ter ganhado tradição como um dia santificado entre os cristãos, o Natal também é celebrado por muitas pessoas que não são, necessariamente, cristãs. Inclusive, diversos costumes e liturgias natalinas remontam a épocas pré-cristãs, com certo secularismo, isto é, sem direta vinculação religiosa. Por isso, o Natal é um dia sagrado para os cristãos, mas, também, uma festividade globalizada.
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Ao longo do tempo, a data festiva e religiosa atraiu as atenções do capitalismo, incorporando-se à tradição natalina a troca de presentes e as ornamentações típicas da data, aspecto este que muito contribui para o aumento da atividade econômica. Entretanto, por mais que a troca de presentes já faça parte dos costumes natalinos, o Natal vai muito além do incremento do comércio.
Trocas de presentes, “amigo x”, decorações natalinas e ceia à parte, o Natal deveria incutir em todos nós um momento de reflexão. Reflexão mais voltada a nós mesmos, em nossas individualidades, do que em direção ao comportamento do outro. Essa introspecção, por óbvio e por mais redundante que possa parecer, deve ocorrer no foro íntimo de cada um, perquirindo se nossas condutas, ações e pensamentos estão em acordo com a mensagem de amor amplamente difundida pelo aniversariante, o Cristo, já que nosso país é majoritariamente cristão (católicos, adventistas, umbandistas, kardecistas, presbiterianos, batistas, luteranos, anglicanos, mórmons, testemunhas de Jeová, maranatas, entre muitos outros).
A reflexão a qual me refiro parece-me ainda mais indispensável nos tempos atuais, em que há grande apelo para nos divorciarmos do mandamento maior de Cristo: o amor ao próximo, donde decorrem todos os principais mandamentos e dogmas cristãos por essência. O triste momento de pandemia convida-nos sobremaneira a essa introspecção, mesmo porque este não é o momento de realizar grandes confraternizações e festas pomposas.
Talvez um dos principais exercícios de amadurecimento e de reforma íntima neste momento tão ímpar e doloroso da pandemia seja o cultivo de uma visão social e de um sentimento de amor e respeito ao próximo. O Natal em meio à pandemia nos conclama a desenvolver a paciência e controlar os impulsos. Se amarmos ao próximo, conseguiremos entender que este não é o momento de nos comportar como em outros natais. Não podemos ser tão egoístas e vaidosos em meio a uma pandemia que ceifa a vida de tantos.
Que este Natal, mais que outros, faça acender em cada um de nós o verdadeiro espírito natalino: amor ao próximo e empatia! Amar ao próximo é sinônimo de respeitar e zelar pela vida de cada ser vivo. Todas as vidas importam, inclusive das pessoas com comorbidades e com idade avançada.
Infelizmente, neste Natal, muitas famílias sentem um hiato em suas vidas, a lacuna deixada por aqueles que foram vítimas do coronavírus. A todas as famílias enlutadas, meus sentimentos e o mais sincero respeito. Aqueles que partiram sempre terão espaço em nossas memórias, com muita saudade. A morte de tantas pessoas queridas, que perderam a batalha para um vírus, invisível, deveria nos mostrar o quão preciosa e delicada é a vida humana.
Um feliz Natal a todos, com mais amor e respeito ao próximo.