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Emoções na política

Lições da eleição de Trump e a vingança como método de governar

O caso de Trump nos ensina que a política baseada em emoções pode ser uma faca de dois gumes. Enquanto pode galvanizar apoio, também pode aprofundar divisões e instabilidade

Publicado em 13 de Novembro de 2024 às 02:33

Públicado em 

13 nov 2024 às 02:33
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

A eleição de Donald Trump em 2024 marcou um ponto de inflexão na política global, destacando o papel central das emoções no processo eleitoral. A ascensão de Trump não se baseou apenas em políticas concretas, mas em um apelo emocional que ressoou profundamente com muitos eleitores. Esse fenômeno oferece lições importantes para o Brasil, especialmente no que diz respeito ao uso das emoções e da vingança como estratégia política.
A campanha de Trump foi marcada por uma retórica emocionalmente carregada, que mobilizou sentimentos de medo, raiva e ressentimento. Eleitores que se sentiam negligenciados ou traídos pelo establishment político encontraram em Trump uma figura que vocalizava suas frustrações. Essa estratégia mostrou que apelos emocionais podem ser mais eficazes do que plataformas políticas tradicionais, especialmente em tempos de incerteza econômica e social.
No Brasil, a política também é profundamente influenciada pelas emoções. Campanhas eleitorais frequentemente exploram medos e esperanças do eleitorado, utilizando narrativas que polarizam e dividem. A lição aqui é clara: compreender e direcionar as emoções do público pode ser uma ferramenta poderosa, mas também perigosa, se usada para fomentar divisão em vez de unidade.
Agora mesmo, estão surgindo informações de que Trump estaria instruindo os futuros membros de seu gabinete a usar investigações e processos judiciais contra seus opositores políticos como forma de vingança. Essa abordagem reflete uma mentalidade de "nós contra eles", onde o sistema de justiça é utilizado como arma política. Embora possa energizar uma base política, essa estratégia tende a corroer o tecido social, fomentando desconfiança e hostilidade.
No entanto, é crucial reconhecer que, embora a vingança possa oferecer ganhos políticos a curto prazo, ela frequentemente resulta em danos duradouros à coesão social e à governabilidade. Em vez de buscar retribuição, líderes políticos devem focar na reconciliação e no diálogo, promovendo políticas que beneficiem o bem comum.
Donald Trump
Donald Trump Crédito: AP
O caso de Trump nos ensina que a política baseada em emoções pode ser uma faca de dois gumes. Enquanto pode galvanizar apoio, também pode aprofundar divisões e instabilidade. Para o Brasil, a chave está em equilibrar a mobilização emocional com um compromisso com a verdade, a justiça e a inclusão.
É essencial que líderes políticos e cidadãos trabalhem juntos para construir uma cultura política que valorize o debate respeitoso e a cooperação. Somente assim será possível transformar a energia emocional em um motor para o progresso, e não para o retrocesso.
Mesmo que as emoções sejam uma força poderosa na política, capaz de moldar eleições e destinos nacionais, necessário se faz olhar para elas e ver como estão sendo manipuladas para ganhos políticos somente. O ideal seria considerar as emoções como forma de propor políticas para combater o ódio e a ânsia separatista que advém delas. Aprender com os erros e acertos de outros países, como os Estados Unidos, pode ajudar o Brasil a navegar suas próprias águas políticas turbulentas, buscando sempre a união e o bem-estar coletivo.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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